Adeus, vasectomia: anticoncepcional masculino que dura até 2 anos poderá ser comprado na farmácia
Pesquisa internacional avança silenciosamente rumo à transformação reprodutiva

O desenvolvimento de métodos contraceptivos masculinos de longa duração avança em ritmo acelerado e pode transformar o planejamento familiar nas próximas décadas.
Um dos projetos mais promissores até o momento é o ADAM™, criado pela empresa norte-americana Contraline.
O dispositivo está em fase de testes clínicos iniciais, utiliza um hidrogel não hormonal aplicado por injeção no canal deferente e tem previsão de possível disponibilização comercial a partir de 2028, caso obtenha aprovação regulatória.
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O funcionamento do método é descrito como uma “vasectomia temporária”. Aplicado em consultório sob anestesia local, em procedimento de cerca de 30 minutos, o hidrogel forma uma barreira física dentro do canal deferente, impedindo a passagem dos espermatozoides sem interferir na produção hormonal, na ejaculação ou no desejo sexual.

(Foto: Divulgação/Contraline)
Dados preliminares divulgados pela empresa indicam que os voluntários apresentaram azoospermia, ausência de espermatozoides no sêmen, após o procedimento, sugerindo eficácia contraceptiva.
Diferentemente da vasectomia tradicional, o material é projetado para se degradar gradualmente ao longo de aproximadamente dois anos, permitindo a recuperação espontânea da fertilidade.
A proposta surge em um cenário no qual as opções contraceptivas masculinas permanecem limitadas basicamente ao preservativo e à cirurgia definitiva.
Organismos como a Organização Mundial da Saúde defendem a ampliação de alternativas para equilibrar a responsabilidade reprodutiva entre homens e mulheres. Métodos não hormonais, como o ADAM™, despertam interesse por reduzirem efeitos colaterais sistêmicos associados a intervenções hormonais.
Paralelamente, outras frentes de pesquisa avançam. A pílula experimental YCT-529, desenvolvida por pesquisadores ligados à University of Minnesota, atua bloqueando receptores de vitamina A essenciais à espermatogênese e já apresentou resultados promissores em modelos animais.
Já cientistas da Michigan State University identificaram recentemente um “interruptor” molecular que regula o aumento de energia dos espermatozoides momentos antes da fertilização.
Segundo a bioquímica Melanie Balbach, autora sênior do estudo, compreender esse mecanismo metabólico pode abrir caminho para contraceptivos masculinos não hormonais ainda mais específicos e reversíveis.
Os especialistas alertam que, embora os resultados iniciais sejam encorajadores, ainda são necessários ensaios clínicos mais amplos para confirmar segurança, reversibilidade total e ausência de efeitos adversos a longo prazo.
Se aprovado pelas agências reguladoras, o método poderá representar uma das maiores mudanças na saúde reprodutiva masculina desde a popularização da vasectomia, oferecendo uma alternativa de longa duração, porém reversível, capaz de redefinir o debate sobre autonomia e corresponsabilidade no planejamento familiar.
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