Vale investir em imóveis em Goiânia? Especialistas revelam as melhores opções para 2026
Especialistas apontam galpões logísticos, salas comerciais e fundos imobiliários como alternativas rentáveis além do aluguel
Ano após ano, a cidade de Goiânia aparece em pesquisas de preço do mercado imobiliário como uma das capitais em que o metro quadrado mais se valoriza.
Uma pesquisa recente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO) aponta, por exemplo, uma valorização de 13% nos imóveis até setembro de 2025. No estudo, a valorização do metro quadrado em Goiânia ficou atrás somente de São Paulo e Rio de Janeiro.
Tudo isso, é claro, atrai cada vez mais investidores para o setor, mas se engana que acha que investir no imobiliário significa apenas construir casas ou comprar apartamento para alugar.
Hoje em dia, é possível investir em lajes corporativas, galpões logísticos, salas comerciais e empreendimentos industriais, que acompanham o crescimento econômico e a expansão das empresas.
Além disso, há oportunidades no mercado financeiro por meio dos fundos imobiliários (FIIs), que permitem ao investidor participar de grandes projetos com mais liquidez e diversificação, sem precisar adquirir diretamente um imóvel físico.
Por isso, o Portal 6 conversou com especialistas do mercado imobiliário goianiense para saber dicas essenciais para quem planeja investir no setor em 2026. Confira!
Imóveis residenciais: o tradicional que dá certo
Para Henrique Campelo, gerente comercial e de marketing da Euro Incorporações, os investimentos em imóveis residenciais continuam em alta, por conta da segurança do capital investido e pela rentabilidade com aluguéis.
Entretanto, alguns cuidados são necessários na hora da escolha do produto para garantir a valorização a médio prazo.
“É sempre necessária uma boa pesquisa de regiões e de preços. Por exemplo, donos de imóveis em bairros de muita concorrência enfrentam mais dificuldade na hora de conseguir inquilinos. Nesses casos precisam reduzir o aluguel ou investir em reforma do imóvel”, disse.
O gerente também comenta a tendência dos novos empreendimentos de Goiânia na área de lazer e comodidade.
Para ele, a maior parte dos lançamentos recentes já conta com diferenciais como piscina, academia, espaço gourmet, lavanderia, espaços de coworking, entre outros, o que aumenta ainda mais a necessidade de um diferencial.
“Esses produtos recentes estão todos em nível próximo, com alto acabamento. Ainda assim, são produtos baratos comparados a outras regiões do país. Assim, o diferencial vai estar nas facilidades de acesso e no conforto que a região possibilita”, comenta.

Henrique Campelo é gerente comercial e de marketing da Euro Incorporações. (Foto: Arquivo Pessoal)
Galpões logísticos e salas comerciais
Para além dos imóveis residenciais, outras opções que têm dado bom retorno para os investidores são as opções comerciais, como galpões logísticos e salas para escritórios.
Para Raoni Cabral, consultor financeiro, o diferencial desses segmentos reside na boa margem de aluguel e na baixa inadimplência.
“Em Goiás, os galpões têm dado bons resultados. O percentual do aluguel em relação ao valor da propriedade é alto, além de ter baixa inadimplência e baixa manutenção”, disse à reportagem.
“Também são interessantes as salas comerciais, que pagam uma taxa de aluguel acima do residencial. Claro que comprar na planta é sempre mais recomendado. Na minha visão esses dois segmentos tem se destacado para o investidores”, complementou.
Outro segmento que também tende a dar bom retorno é o de imóveis para curta temporada, como os compactos destinados a turismo. Mas nesses casos, o comprador deve se atentar à localização ideal.
“Aluguel de curta temporada vai funcionar bem onde tem demanda nichada, por exemplo, turismo ecológico, de negócios e movimentação de pessoas nos períodos de férias”, comenta Raoni.
“Esse não é o caso de Goiânia, mas seria para cidades como Brasília, Pirenópolis, Caldas Novas e a região da Chapada. Nesses locais a renda na alta temporada chega a pagar a baixa temporada”, finaliza.

Raoni Cabral é consultor financeiro. (Foto: Arquivo Pessoal)
Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs)
Outra tendência interessante para goianienses interessados nos investimentos no setor são os Fundos de Investimentos Imobiliários (FII).
Nessa modalidade de investimentos é possível adquirir frações de ativos do mercado imobiliário, como de imóveis físicos, no caso de shopping, galpões comerciais, ou prédios, e mesmo títulos de dívida como os CRIs e LCIs.
Com os FIIs, investidores conseguem rendimentos mensais, geralmente isentos de IR para pessoas físicas, sem a necessidade de comprar um imóvel diretamente.
Para Roberta Almeida, empresaria e assessora de investimentos, os fundos imobiliários hoje permitem o investidor ter acesso ao ativos com valores menores do que a compra direta de um imóvel.
Outro ponto positivo é a possibilidade de diversificar entre diferentes ativos, segmentos e regiões, o que seria inviável para a maioria das pessoas do modelo tradicional.
“Diferente do imóvel físico que pode levar meses para ser vendido, as cotas de fundos imobiliários são negociadas em bolsa. Então oferecem liquidez diária, o que traz flexibilidade estratégia para o investidor falando em termos de gestão de investimentos.
Outro diferencial dos fundos imobiliários são os riscos ligados à administração dos bens. No caso de imóveis físicos, o proprietário é que deve cuidar de toda gestão, incluindo inadimplência, manutenção e vacância, o que não ocorre no caso da FIIs.
“Com os fundos, a gestão do patrimônio é feita por uma equipe de especialistas responsável por toda a análise de crédito, a negociação de contrato, além da administração dos ativos no imóvel físico.
Para iniciar no ramo de investimentos em fundos imobiliários, Roberta Almeida dá algumas dicas: “O primeiro passo é entender que fundo imobiliário não é renda fixa. Apesar de você ter uma previsibilidade de rendimentos trata-se de uma renda variável ou seja sujeita a oscilações de mercado”, comenta a especialista.
“É importante o investidor definir seu objetivo, se ele busca renda mensal, ganho de capital ou diversificação patrimonial. Também é fundamental compreender a diferença entre os principais segmentos. Cada um responde de forma distinta ao cenário macroeconômico e a dinâmica de juros”, finaliza.

Roberta Almeida é empresária e assessora de investimentos. (Foto: Arquivo Pessoal)
De olho nos impostos: cuidados importantes
Investir tem sido algo cada vez mais comum em meio aos brasileiros e os goianos. Notícias falando sobre a migração de quantias das antigas cadernetas de poupança para investimentos em setores variados tem sido cada vez mais frequentes.
Esse movimento é impulsionado pelo desejo de rendimentos fixos superiores, mas ainda assim seguros. Para se ter ideia, dados do Banco Central mostram que, nos últimos cinco anos, a Poupança perdeu mais de R$ 327 bilhões em capital investido até janeiro de 2026.
Mas é preciso ter cautela e pesquisar bem antes de injetar suas reservas em um imóvel ou um fundo imobiliário.
Como conta Karine Terra, consultora e mentora financeira, um bom investimento é aquele que não se torna um fardo para o investidor.
“É necessário ter atenção e monitoramento do planejamento financeiro para que não se torne um peso orçamentário e prejudique a qualidade de vida do indivíduo e da família como um todo. Isso é imprescindível desde o início”, disse ao Portal 6.
Outro ponto muitas vezes negligenciado é a questão dos impostos, como no caso do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), além de custas com cartório.
“O investidor deve se preparar e dispor de recursos para bancar custos de impostos e transferências, e até para mobiliar o bem e garantir maiores rentabilidade na hora de revendê-lo e realizar o lucro. Seguir esses pontos trará segurança e paz para se investir”, disse.
“Gosto muito de enfatizar que ter consciência de quem é você, investidor, perante as nuances das oscilações dos investimentos. Saber o que se quer, quando quer e o quanto tem disponível para investir sem que se perca a paz e a segurança do seu estilo de vida e da sua família”, avalia Karine.

Karine Terra é consultora e mentora financeira. (Foto: Reprodução/Instagram)
Investimento de longo prazo
Também é importante não “se afobar” na hora de comprar ou vender. Tomar uma decisão impulsiva pode custar muito caro no final das contas e levar ralo abaixo um capital que levou anos para juntar, como destaca Oesley Santos, educador e mentor financeiro.
“Tem um ditado que diz que você não deve esperar para comprar um imóvel, deve comprar um imóvel e esperar, porque a longo prazo a tendência é que os imóveis se valorizem. Isso falando de casa, terreno, fazenda, comerciais, galpões, tudo tende a valorizar, mas com o tempo“, comenta.
Além disso, o mercado imobiliário não foge da regra de oferta e demanda. Se há residências vagas sobrando no mercado, os alugueis ficam menos lucrativos e os períodos de ociosidade aumentam.
“É muito importante olhar para a localização e se essa localização facilita a demanda. Se é um imóvel ali bem visto, se tem muita procura na naquela região, isso indica que é um imóvel que vai ficar pouco tempo desocupado, né? Pouco tempo sem ser alugado. Porque imóvel parado é dinheiro perdido”, enfatiza à reportagem.
Sobre o futuro do mercado em Goiás, Oesley aposta em regiões que vão além da capital goiana.
“Vejo um crescimento bem exponencial para Anápolis, para Rio Verde e para Luziânia, outras grandes cidades ali fora do da região metropolitana e que tem um potencial muito grande de investimento e de valorização”, relata.
“São áreas em que as pessoas ainda podem comprar imóveis por um valor mais acessível e que com o passar do tempo vem o lucro. A valorização pode ser até maior do que a de Goiânia. Não que Goiânia não vá se valorizar mais, o problema é que hoje já tá bem caro para você adquirir, né?”, finaliza o educador financeiro.

Oesley Santos é educador financeiro. (Foto: Arquivo Pessoal)
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