Ansiedade entre estudantes atinge nível semelhante ao de hospitais psiquiátricos dos anos 50, segundo estudo
Estudos revelam avanço geracional da ansiedade e alertam para impactos na vida moderna

Se fosse possível medir o peso interno que cada geração carrega, talvez os números surpreendessem. O mal do nosso século é o adoecimento psíquico, marcado por transtornos como depressão, burnout e ansiedade.
Ao longo das últimas décadas, pesquisadores vêm identificando um crescimento nos níveis de ansiedade entre crianças e universitários.
Curiosamente, na atualidade, existem mecanismos que dão atenção e tratamento à ansiedade, mas a modernidade está cada vez mais acelerada e incerta para as gerações mais jovens, gerando números históricos preocupantes sobre a permanência da ansiedade entre os mais jovens.
Uma das análises mais marcantes do tema foi conduzida pela psicóloga Jean M. Twenge, psicóloga americana, que reuniu dados coletados entre 1952 e 1993.
O levantamento da acadêmica revelou uma escalada imensa nos índices médios de ansiedade ao longo das gerações.
A comparação histórica impressiona negativamente: crianças classificadas como saudáveis quanto à ansiedade nos anos 1980 apresentavam mais sintomas do transtorno do que pacientes infantis atendidos em clínicas psiquiátricas na década de 1950.
Entre universitários, a tendência seguiu o mesmo padrão. Segundo a pesquisa, o estudante médio dos anos 1990 apresentava níveis de ansiedade superiores aos registrados na maioria dos jovens das décadas de 1950 e 1970.
O aumento não é por acaso: os avanços tecnológicos e da sociedade estão cada vez maiores, e o mundo é cada vez mais preenchido com hiperestímulos, excesso de informações e cobranças, tornando tudo incerto para a nova geração.
Longe de ser pontual, o fenômeno continua sendo observado em estudos mais recentes. Uma revisão sistemática envolvendo quase 40 mil pós-graduandos identificou que cerca de 34,8% apresentavam sintomas de ansiedade. Os dados indicam crescimento nas últimas décadas, com agravamento significativo após a pandemia de COVID-19.
Mais do que números, os estudos revelam uma mudança silenciosa no estado emocional coletivo — um alerta que atravessa décadas e convida à reflexão sobre o modo de vida contemporâneo.
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