Fungo capaz de produzir ouro chama atenção da comunidade científica
Pesquisadores investigam como fungos podem reaproveitar resíduos com traços de ouro e reduzir o uso de reagentes químicos

Pode parecer ficção científica, mas pesquisadores descobriram que certos fungos são capazes de concentrar ouro em nível microscópico.
Não se trata de criar ouro do nada, e sim de transformá-lo quimicamente, convertendo partículas dissolvidas em formas sólidas. O fenômeno é conhecido como bioprecipitação.
Nesse processo, o fungo muda as condições químicas ao seu redor, como a acidez do ambiente. Com isso, pequenas partículas de ouro que estavam “misturadas” no líquido deixam de ficar dissolvidas e voltam a se tornar sólidas.
Esse ouro se transforma em partículas minúsculas, que ficam grudadas no próprio fungo ou no material onde ele está. Tudo isso acontece em um tamanho tão pequeno que só pode ser visto com equipamentos de laboratório.
Um dos destaques é o Fusarium oxysporum, espécie conhecida por interagir com minerais que contêm ferro, cálcio, alumínio e ouro.
Em áreas naturalmente ricas no metal, fungos da ordem Hypocreales costumam aparecer com maior frequência, sugerindo uma ligação entre atividade microbiana e presença de ouro.
A pesquisa integra o campo da chamada mineração metabólica, que busca utilizar organismos vivos para extrair ou concentrar metais de forma mais limpa.
Em vez de escavações intensas e uso de reagentes tóxicos, a proposta é recuperar frações de ouro presentes em resíduos de mineração ou subprodutos metalúrgicos.
Apesar da curiosidade que o tema desperta, o cultivo voltado à produção de nanopartículas ocorre em laboratório, sob normas de biossegurança e com uso de biorreatores.
Mesmo nesses ambientes controlados, o resultado não são lingotes, mas pequenas concentrações microscópicas.
As aplicações vão além da mineração tradicional. Estudos também avaliam o uso desses fungos para reaproveitar rejeitos industriais e até processar materiais em futuras missões espaciais, dentro do conceito de produção de recursos no próprio local.
Ainda há desafios quanto à eficiência e à regulamentação, mas a descoberta reforça que a biotecnologia pode transformar até a forma como o ouro é recuperado — começando em escala microscópica.
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