Advogada explica o que realmente acontece quando uma família não faz inventário

Especialistas alertam que, sem inventário, herdeiros enfrentam entraves para vender bens, acessar valores e regularizar patrimônio

Gustavo de Souza -
Advogada explica o que realmente acontece quando uma família não faz inventário
Mulher e criança durante atendimento em cartório. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Quando uma pessoa morre, é comum que familiares imaginem que casa, carro, dinheiro e outros bens passam automaticamente para os herdeiros. A legislação brasileira prevê que a herança é transmitida no momento do falecimento, mas isso não significa que o patrimônio esteja regularizado ou disponível para uso imediato.

Sem um inventário, a família pode enfrentar obstáculos jurídicos e administrativos. É esse procedimento que identifica o patrimônio, confirma os herdeiros e formaliza a divisão dos bens, e quanto mais ele for adiado, mais consequências financeiras e burocráticas podem aparecer.

Herança existe, mas precisa de regularização

O Código Civil determina que, com a morte, a herança é transmitida aos herdeiros. Esse princípio é conhecido como saisine — termo originário do francês, com sentido de apoderar-se ou tomar posse.

No entanto, essa transmissão automática não dispensa o inventário. O processo serve para organizar o patrimônio deixado, verificar eventuais dívidas e formalizar a partilha entre os sucessores.

Sem essa etapa, os bens permanecem sem regularização registral e administrativa.

Imóveis e bens enfrentam entraves

Um dos primeiros impactos aparece nos imóveis. Casas, apartamentos e terrenos não podem ser regularmente vendidos ou transferidos para o nome dos herdeiros sem a formalização da partilha.

O mesmo ocorre com veículos e outros bens que dependem de registro oficial. Sem inventário, a transferência e a regularização podem enfrentar barreiras em cartórios ou órgãos públicos.

Contas e investimentos podem depender do processo

Valores mantidos em contas bancárias, aplicações ou investimentos também podem exigir a regularização da sucessão para serem liberados.

Instituições financeiras frequentemente solicitam documentos do inventário ou decisões judiciais, como alvarás, para autorizar o levantamento de recursos deixados pelo falecido.

A demora pode gerar custos

Outro impacto está no campo financeiro. A legislação estabelece prazo para abertura do inventário, e o atraso pode resultar em multas relacionadas ao imposto sobre transmissão causa mortis.

Além das questões tributárias, a demora também pode ampliar conflitos familiares sobre o uso ou destino dos bens.

Inventário pode ser judicial ou em cartório

Embora muitas pessoas associem o inventário a processos longos na Justiça, também existe a possibilidade de realizá-lo em cartório.

Quando há consenso entre os herdeiros e as exigências legais são atendidas, o inventário extrajudicial costuma tornar o procedimento mais rápido. Independentemente da modalidade, especialistas recomendam buscar orientação jurídica o quanto antes.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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