Adolescente é proibida de usar banheiro em colégio de Anápolis após boatos de ser transexual, denuncia mãe

Estudante já vinha sofrendo bullying dos colegas por conta da voz, mas rumores também se espalharam entre os professores e a gestão

Natália Sezil -
estudante abusado, adolescente
Escola fica no bairro Vila Brasil, em Anápolis (Foto: Reprodução/Google Maps)

O Centro de Ensino em Período Integral (CEPI) José Ludovico de Almeida, localizado no bairro Vila Brasil, em Anápolis, voltou a ser denunciado apenas poucos dias depois de um suposto caso de estupro de vulnerável vir à tona.

Desta vez, uma situação que começou como bullying entre alunos acabou escalonando quando os rumores se espalharam entre professores e chegaram à coordenação, que teria concordado com os boatos.

A mãe de uma estudante do 9º ano, que não será identificada, relatou ao Portal 6 que o caso teve início em 2025, quando a filha começou a ser alvo de bullying “por ter a voz um pouco mais firme”.

Por causa disso, colegas começaram a dizer que ela era transexual. A situação ficou tão grave que a adolescente precisou começar a tomar remédios contra ansiedade.

Assim que a mãe soube, foi até o colégio reclamar do bullying. Pediu que a direção conversasse com os pais dos outros estudantes e tomasse alguma providência.

Mesmo assim, considera que o pedido não foi atendido – pelo contrário, o cenário apenas piorou.

Ela afirma que, em janeiro deste ano, quando foi buscar os uniformes da menina, foi chamada pela coordenadora para uma conversa de última hora.

Ao entrar na sala com a filha, ouviu a profissional dizer à adolescente que “tolerou muita coisa, mas este ano tem que começar tudo certinho. Você não pode mais usar nosso banheiro”.

Ao questionar o que ela queria dizer com isso, escutou: “aqui na escola tem crianças, e elas comentam que sua filha é uma mulher trans”.

Segundo a mãe, a coordenação admitiu que isso estava sendo comentado entre os professores, mesmo se tratando de uma informação mentirosa. “Eles não se deram nenhum trabalho de olhar a documentação da menina. Como que eles vêm para mim com toda a certeza?”.

“Se a própria gestão veio falar isso, você imagina o que ela não sofreu com os alunos?”, reflete. A preocupação aumenta por conta do regime integral do colégio, onde a adolescente passa o dia inteiro.

“A gente confia os filhos da gente na instituição achando que eles estão seguros, mas onde era para eles serem amparados, estão sendo castigados”, desabafou.

A mãe ainda detalhou: “eles até assumiram que erraram, mas eu não vi que mudou nada. Minha filha falou que, depois, eles [da gestão] já nem chamavam ela pelo nome mais. Estavam chamando ela de ‘mulher’, como ‘ah, é mulher, então vou chamar de mulher’.”

O caso foi relatado à Secretaria de Estado de Educação de Goiás (Seduc) e ao Conselho Tutelar, mas não houve mais desdobramentos desde a denúncia, feita em 30 de janeiro.

A reportagem procurou a Seduc, para saber se alguma providência foi tomada ou se há previsão de ações para combater a situação, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.

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Natália Sezil

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás, é estagiária do Portal 6 e atua na cobertura do cotidiano. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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