Por que a Amazílio Lino não sofre mais com inundações e o quão longe Anápolis está de resolver os problemas da chuva

Em entrevista ao Portal 6, secretário de Obras se mostrou satisfeito com os resultados, mas admitiu que trabalhos são paliativos

Davi Galvão Davi Galvão -
Imagem mostra transbordamento do Córrego das Antas, na altura da Amazílio Lino. (Foto: Isabella Valverde/Portal 6)
Imagem mostra transbordamento do Córrego das Antas, na altura da Amazílio Lino. (Foto: Isabella Valverde/Portal 6)

Por décadas, o cruzamento das águas no Centro de Anápolis foi sinônimo de prejuízo e medo, com um dos exemplos mais emblemáticos sendo as potentes enchentes e alagamentos ao longo da Avenida Amazílio Lino.

No entanto, o primeiro trimestre de 2026 desenha um cenário atípico: apesar das chuvas volumosas, a localidade tem, até o momento, passado ilesa aos transbordamentos.

Não é raro, inclusive, ver o movimento de maquinário ao longo do trecho em constante trabalho, retirando terra, lama e detritos que se acumularam.

Imagem mostra maquinário retirando detritos na altura da Avenida Amazílio Lino. (Foto: Davi Galvão)

Imagem mostra maquinário retirando detritos na altura da Avenida Amazílio Lino. (Foto: Davi Galvão)

Porém, a explicação para o alívio no cenário não está apenas na avenida em si, mas quilômetros acima, em um complexo sistema de retenção que envolve as bacias dos ribeirões Antas, Góis e João Cesário.

Em entrevista ao Portal 6, o secretário de Obras, Thiago de Sá, afirmou que o problema da Amazílio Lino é sistêmico e deriva de um ponto crítico de convergência.

O gargalo reside na bifurcação localizada atrás da antiga Nasa Veículos, onde ocorre o encontro das duas principais bacias da cidade: o Ribeirão Góis e o Rio das Antas.

Comportas inutilizadas

A peça-chave para o controle atual foi a reativação da bacia de contenção do Parque Onofre Quinan. O bolsão deveria atuar através de um sistema de comportas que controlam o fluxo d’água.

Em épocas de seca, ela se abre; em fortes chuvas, fecha para liberar a corrente de forma moderada de modo a não impactar pontos mais a frente (como a Amazílio).

“Foram anos que não realizavam a limpeza e manutenção dessa bacia, então essa comporta não estava em atividade. Daí, em fortes chuvas, vazava a água com toda força. Então não adianta só limpar os pontos que alagam, o problema é bem mais interconectado”, pontuou o secretário.

Trabalhos de desassoreamento tem sido realizados em diversos pontos da cidade. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Anápolis)Trabalhos de desassoreamento tem sido realizados em diversos pontos da cidade. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Anápolis)

Trabalhos de desassoreamento tem sido realizados em diversos pontos da cidade. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Anápolis)

Assim, em novembro de 2025 foi dado início a intervenção por meio de um desentupimento técnico rigoroso, tendo até o momento retirado impressionantes 33.000 m³ de areia do leito.

Atualmente, uma das lagoas no Onofre Quinan já opera plenamente nesta função, com a expectativa de que o sistema completo esteja estabilizado até o próximo ano.

Solução definitiva

Apesar do sucesso imediato, a Secretaria de Obras trata as ações atuais como um estágio inicial e que os problemas estão sendo tratados de forma paliativa.

O secretário alerta para a degradação das Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo do Córrego das Antas, especialmente na região da nascente.

“Sem a recomposição da mata ciliar, os sedimentos continuarão descendo e exigindo um cronograma de desassoreamento eterno”, afirmou.

Além do foco na nascente, Thiago informou que a Prefeitura já trabalha no planejamento de novos reservatórios situados acima da antiga Pecuária e na região do Estádio Jonas Duarte, para aumentar a margem de segurança do município.

Outra frente de trabalho importante acontece em parceria com o Brasil Park Shopping.

A obra conjunta foca na contenção de processos erosivos e no restabelecimento do curso do Córrego João Cesário, com previsão de entrega ainda para este primeiro semestre.

 

 

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Davi Galvão

Davi Galvão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua como repórter no Portal 6, com base em Anápolis, mas atento aos principais acontecimentos do cotidiano em todo o estado de Goiás. Produz reportagens que informam, orientam e traduzem os fatos que impactam diretamente a vida da população.

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