Não é o tipo sanguíneo, nem o cheiro: cientistas descobrem como mosquitos escolhem quem picar

Estudo mostra que mosquitos usam CO₂ e estímulos visuais para encontrar alvos, indicando que o tipo sanguíneo não é o único fator envolvido

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Cientistas descobrem como mosquitos escolhem quem picar
(Foto: Divulgação/Pexels/Pixabay)

Por muito tempo, o tipo sanguíneo foi apontado como o principal fator por trás das picadas de mosquitos.

No entanto, um novo estudo internacional indica que o comportamento desses insetos pode estar muito mais ligado a sinais do ambiente do que a características do sangue humano.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), em parceria com o MIT, analisaram o comportamento de fêmeas do mosquito Aedes aegypti em ambiente controlado.

A equipe reuniu dezenas de milhões de pontos de dados sobre as trajetórias de voo dos insetos, permitindo desenvolver um modelo matemático capaz de prever como eles se aproximam de possíveis alvos.

Ao contrário do que se imagina, os mosquitos não seguem uns aos outros. Cada indivíduo responde de forma independente aos estímulos ao redor, mas, como reagem aos mesmos sinais, acabam convergindo para o mesmo ponto ao mesmo tempo.

O que realmente guia os mosquitos

Os resultados apontam que dois fatores têm papel central nesse processo: o dióxido de carbono (CO₂), liberado na respiração, e estímulos visuais, especialmente objetos escuros ou de alto contraste no ambiente.

Nos experimentos, os cientistas usaram câmeras infravermelhas em 3D para observar o comportamento dos insetos. Quando apenas um objeto escuro era apresentado, os mosquitos se aproximavam, mas não permaneciam no local por muito tempo.

Já na presença isolada de CO₂, os insetos conseguiam identificar a origem do sinal, mas apenas quando estavam próximos.

O comportamento mudava significativamente quando os dois elementos apareciam juntos: nesse cenário, os mosquitos permaneciam na área por mais tempo, circulavam ao redor do alvo e intensificavam as tentativas de aproximação.

Mais do que sangue: múltiplos sinais

Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores ressaltam que o comportamento dos mosquitos não depende de um único fator.

Além do CO₂ e das pistas visuais, elementos como odor corporal, calor e umidade também influenciam a atração.

O estudo não avaliou diretamente o papel do tipo sanguíneo, o que significa que ele não pode ser descartado completamente.

Ainda assim, as descobertas reforçam que os mosquitos utilizam uma combinação de sinais para localizar suas vítimas.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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