Segundo psiquiatra, álcool reprograma o cérebro e faz o corpo tratar a bebida como algo essencial para sobreviver

Especialistas alertam para mudanças silenciosas que afetam decisões e comportamentos sem percepção clara

Magno Oliver Magno Oliver -
Segundo psiquiatra, álcool reprograma o cérebro e faz o corpo tratar a bebida como algo essencial para sobreviver
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O avanço das pesquisas em neurociência tem revelado como substâncias comuns podem impactar profundamente o funcionamento do cérebro humano.

Entre elas, o álcool se destaca não apenas pela ampla aceitação social, mas também pelo seu potencial de alterar mecanismos internos ligados ao prazer e à sobrevivência.

Especialistas alertam que o consumo frequente pode levar o organismo a interpretar a bebida como uma necessidade básica. De acordo com a psiquiatra Anna Lembke, professora da Universidade de Stanford, o fenômeno está diretamente relacionado à ação da dopamina.

Segundo psiquiatra, álcool reprograma o cérebro e faz o corpo tratar a bebida como algo essencial para sobreviver

(Foto: Reprodução / Youtube)

Esse neurotransmissor é responsável por associar sensações positivas a comportamentos, incentivando sua repetição.

Substâncias como o álcool provocam liberações intensas de dopamina no chamado sistema de recompensa, criando experiências altamente marcantes para o cérebro.

Com o tempo, esse estímulo excessivo leva a um processo conhecido como neuroadaptação. O cérebro passa a reduzir sua própria produção natural de dopamina, criando um desequilíbrio.

Como resultado, o indivíduo precisa de doses cada vez maiores para alcançar o mesmo efeito inicial ou até mesmo para se sentir “normal”. Esse ciclo é um dos principais fatores que sustentam a dependência química.

Vivemos em uma época e lugar onde temos mais acesso a bens de luxo, mais renda disponível, mais tempo livre, até mesmo para os mais pobres, do que nunca na história . E acontece que isso é estressante para o nosso cérebro. E é estressante de uma maneira completamente nova, que nunca enfrentamos antes, o que nos torna mais vulneráveis ​​ao problema do consumo compulsivo e do vício. E eu acho que o vício é a praga moderna ”, diz a Dra. Anna Lembke em O Diário de uma CEO .

Estudos do National Institute on Drug Abuse indicam que o ambiente atual, marcado por fácil acesso a substâncias e estímulos de prazer, aumenta significativamente o risco de vício.

Os especialistas explicam que o cérebro humano evoluiu em condições de escassez, o que torna o excesso de estímulos modernos um desafio para o equilíbrio mental.

Apesar da complexidade do problema, há caminhos possíveis para reversão. A principal estratégia envolve a interrupção do consumo por um período prolongado, permitindo que o cérebro restabeleça gradualmente seu funcionamento.

No entanto, os primeiros dias de abstinência costumam ser os mais difíceis, com sintomas como ansiedade e irritabilidade.

Para os especialistas, compreender esse processo é fundamental para enfrentar o vício, que já é considerado um dos principais desafios de saúde pública contemporâneos.

Confira mais detalhes sobre o caso:

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.