Delegada descreve modus operandi de ginecologista suspeito de abusar de ao menos cinco pacientes: “predador sexual”
Médico foi identificado pela Polícia Civil para que outras vítimas também pudessem denunciar

A delegada Amanda Menucci descreveu o comportamento do médico ginecologista Marcelo Arantes como o de um verdadeiro “predador sexual”, que chegou até mesmo a praticar sexo oral em uma das vítimas.
O profissional é suspeito de utilizar o prestígio da profissão e a confiança das pacientes para praticar atos libidinosos durante consultas e exames em Goiânia e Senador Canedo e foi identificado pela Polícia Civil (PC) na manhã desta sexta-feira (16).
De acordo com a titular da Delegacia Estadual de Atendimento à Mulher (Deam), Amanda Menucci, o comportamento do investigado seguia um padrão clínico de manipulação que dificultava a percepção imediata do crime pelas vítimas.
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Segundo as investigações, Marcelo costumava iniciar os abusos com comentários de conotação sexual, elogios ao corpo das pacientes e toques físicos indesejados.
“Quando ele ganhava a confiança da vítima, os atos sexuais eram praticados. Sempre fazendo exames físicos sem luva, massageando as partes íntimas e fazendo perguntas maliciosas”, explicou a delegada.
Em um dos relatos mais graves, o ginecologista teria praticado sexo oral em uma paciente, sem consentimento, durante um exame clínico.
A delegada destacou que o ginecologista criava um ambiente propício para os crimes. As consultas eram frequentemente agendadas para o final do dia, entre 18h e 19h, momento em que ele dispensava a secretária para permanecer sozinho com as mulheres.
“A vulnerabilidade era extrema porque elas ficavam submetidas à autoridade médica e física, muitas vezes com as pernas presas no aparelho de exame e com a porta do consultório trancada”, afirmou Amanda.
Além dos abusos físicos, a investigação apurou outros comportamentos graves, como o uso de hormônios, com vítimas relatando que o médico, especialista em reprodução humana, aplicava as substâncias sem autorização e realizava exames de toque vaginal mesmo em casos onde não havia indicação clínica.
Também segundo a PC, o Conselho Regional de Medicina (CRM) já suspendeu a autorização para que Marcelo Arantes não mais continue atuando como médico.
Embora o pedido de prisão preventiva tenha sido indeferido pelo Poder Judiciário, a Polícia Civil reforça que a divulgação da imagem do médico é fundamental para que novas vítimas apareçam.
“Temos relatos desde 2017 e casos recentes de vítimas que não se conhecem, mas descrevem a mesma conduta. Não importa o tempo que passou, a PC tem lastro para investigar”, concluiu a delegada.
A reportagem entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), que informou que “denúncias relacionadas à conduta ética de médicos” são apuradas e tramitam em total sigilo. Confira a nota na íntegra:
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) esclarece que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas pelo Cremego ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias.
A reportagem não localizou o advogado do ginecologista, mas o espaço segue em aberto.
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