Alta de ataques de cobras em Anápolis acende alerta; especialista explica riscos

Cidades registram 18 atendimentos apenas em 2026; infectologista do Ânima Centro Hospitalar alerta para riscos e orienta sobre primeiros socorros

Pedro Pedro Ribeiro -
Alta de ataques de cobras em Anápolis acende alerta; especialista explica riscos
(Fotos: Arquivo pessoal cedido ao Portal 6)

O aumento recente de ataques de cobras em Anápolis tem acendido um alerta entre moradores e autoridades de saúde.

Somente no início de 2026, a cidade já registrou crescimento expressivo no número de ocorrências, incluindo casos graves que ganharam repercussão, como a morte de Lucas Alexandre de Melo Peixoto, de 27 anos, e o ataque à criança Heloísa, de 10 anos, que precisou ser internada em estado delicado.

Diante da situação, o Portal 6 buscou esclarecimentos com a médica infectologista Deborah Mota Carvajal, do Ânima Centro Hospitalar, que explicou os principais riscos, sintomas e cuidados em casos de picadas.

Segundo a especialista, a maioria dos acidentes na região é causada por serpentes do gênero Bothrops, conhecidas como jararacas, responsáveis por cerca de 80% a 90% dos casos.

Elas costumam se esconder em entulhos, vegetação e áreas urbanas.

Já as cascavéis, também presentes com frequência, preocupam pela potência do veneno, que pode causar paralisia e insuficiência renal.

Apesar de raros, os acidentes com coral-verdadeira são considerados extremamente graves.

Os sintomas variam conforme o tipo de cobra. No caso das jararacas, é comum haver dor, inchaço e sangramentos.

Já nas picadas de cascavel, podem surgir sinais neurológicos, como visão turva, queda das pálpebras e escurecimento da urina, um indicativo de lesão muscular.

A médica alerta que nem sempre a vítima percebe imediatamente a gravidade do acidente, especialmente em casos leves ou quando há pouca inoculação de veneno.

A recomendação, de acordo com a infectologista, é lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente.

Entre os erros mais comuns estão o uso de torniquete, automedicação e a demora em buscar socorro, fatores que podem agravar significativamente o quadro.

“O ideal é que o paciente receba o soro nas primeiras horas. Quanto mais rápido, maiores são as chances de recuperação sem complicações”, explicou Deborah.

A especialista também destaca que fatores como idade, doenças pré-existentes, quantidade de veneno e local da picada influenciam diretamente na gravidade.

Em casos mais severos, as sequelas podem incluir necrose, infecções, amputações, problemas renais e até limitações permanentes.

O tratamento é feito com soro antiofídico, que varia conforme o tipo de serpente.

Por isso, se possível, uma foto do animal pode ajudar na identificação, mas sem tentar capturá-lo, evitando novos acidentes.

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Pedro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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