Experimento com meteorito raro revela como Mercúrio consegue ficar derretido por mais tempo do que o esperado
Elementos químicos inesperados transformam a compreensão científica sobre a longevidade do calor extremo

Uma nova fronteira na geologia planetária foi estabelecida por pesquisadores da Universidade Rice ao desvendarem os mecanismos térmicos de Mercúrio.
Utilizando fragmentos de um meteorito raro, o Aubrite, que mimetiza a composição do planeta mais próximo do Sol, a equipe liderada pelo geólogo Yanhao Lin submeteu amostras a condições extremas de pressão e temperatura.
O estudo, fundamentado em dados geoquímicos da missão Messenger da NASA, provou que o interior mercuriano não esfriou tão rapidamente quanto se previa.
- O segredo do irmão mais velho: cuidar dos pequenos desenvolve a chamada “empatia avançada”
- Adeus, sachês nas mesas: nova regra obriga retirada de ketchup, maionese e sal em restaurantes a partir de agosto de 2026
- Blocos de concreto são a nova aposta da construção civil e podem reduzir drasticamente os custos da obra com método simples e produção no próprio terreno
A peça-chave dessa resistência térmica é a abundância de enxofre, que atua como um regulador metabólico no magma, permitindo que o núcleo e o manto mantenham um estado de fusão prolongado, o que reformula as cronologias astronômicas vigentes sobre a morte geológica de planetas rochosos.
A complexidade da pesquisa reside no comportamento atípico do enxofre em ambientes de baixa oxidação, uma característica intrínseca a Mercúrio.
Diferente da Terra, onde o magma é dominado por silicatos que se solidificam de forma previsível, o magma mercuriano rico em enxofre altera drasticamente o ponto de fusão das rochas.

(Crédito: Jared Jones/Universidade Rice)
Os experimentos laboratoriais demonstraram que a presença massiva deste elemento reduz a temperatura necessária para manter a fluidez do material, criando uma espécie de “isolante químico”.
Essa descoberta, corroborada por simulações térmicas avançadas e publicações em periódicos de alto impacto como o Nature Communications, explica por que Mercúrio ainda apresenta um campo magnético ativo e evidências de vulcanismo tardio, fenômenos que só ocorrem se o coração do planeta ainda pulsar com calor remanescente.
As implicações desta descoberta estendem-se para a compreensão da formação da crosta e a distribuição de recursos minerais no sistema solar interno.
Ao entender como o enxofre remodela a evolução interna, os cientistas conseguem agora mapear com maior precisão por que Mercúrio é quimicamente tão distinto de seus vizinhos rochosos.
Este novo entendimento prepara o terreno para a chegada da sonda europeia-japonesa BepiColombo, prevista para entrar na órbita do planeta em 2026.
Com os parâmetros estabelecidos pelo experimento da Rice, a comunidade científica global agora possui uma base teórica robusta para interpretar os novos dados que virão, confirmando que a história de Mercúrio é muito mais dinâmica e “quente” do que a fria desolação de sua superfície aparenta sugerir.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








