Venda de mineradora em Goiás para os EUA pode ser cancelada após pedido de deputados do PSOL
Parlamentares questionam a legalidade da transação com o grupo norte-americano, anunciada nesta segunda-feira

Deputados federais do PSOL acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a anulação da venda da mineradora Serra Verde, sediada em Minaçu, no norte de Goiás, avaliada em 2,8 bilhões de dólares, o que corresponde a aproximadamente 14 bilhões de reais.
A representação cita nominalmente o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado, solicitando que o órgão apure a conduta do governo estadual no processo de alienação da empresa.
A iniciativa partiu das deputadas Sâmia Bomfim e Fernanda Melchionna, além do deputado Glauber Braga, todos do PSOL.
O principal argumento da bancada foca na soberania sobre recursos minerais estratégicos e na observância da divisão de competências entre a União e o Estado de Goiás.
No documento protocolado, os congressistas pedem a suspensão imediata de todos os atos relacionados à venda, o que inclui a interrupção de pagamentos e a validação de contratos assinados.
Os autores da ação defendem que uma investigação rigorosa é indispensável para verificar se houve descumprimento de normas regulatórias sobre a exploração de terras raras.
Esses minerais são considerados essenciais para a indústria global de alta tecnologia e transição energética, sendo utilizados na fabricação de motores para carros elétricos, turbinas de energia eólica e diversos equipamentos tecnológicos de ponta.
A Serra Verde é uma das poucas unidades produtoras desses insumos, o que eleva o valor estratégico do ativo em disputa.
Embora o acordo de compra e venda já tenha sido assinado pelas partes, a conclusão definitiva do negócio depende de etapas burocráticas e financeiras que devem se estender até o segundo semestre de 2026.
O modelo de pagamento estabelecido entre a mineradora e o grupo dos Estados Unidos prevê um aporte inicial de cerca de 300 milhões de dólares em dinheiro, enquanto o restante do valor total será quitado por meio da entrega de ações da empresa compradora aos atuais proprietários.
A reportagem tentou contato com o Governo de Goiás, mas não gouve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue em aberto.
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