Quem está por trás da mineradora de terras raras em Goiás vendida por US$ 2,8 bilhões

Empresa com operação em Minaçu reúne investidores internacionais e ganhou papel estratégico no mercado global de mineração

Pedro Pedro Ribeiro -
Quem está por trás da mineradora de terras raras em Goiás vendida por US$ 2,8 bilhões
(Foto: Divulgação/Serra Verde)

A mineradora Serra Verde, instalada em Minaçu, no Norte de Goiás, e vendida por cerca de US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões), é resultado de uma estrutura construída ao longo de mais de uma década com participação de investidores internacionais e especialistas do setor mineral.

Fundada em 2010, a empresa não surgiu a partir de grupos tradicionais brasileiros, mas sim com capital estrangeiro, voltado à exploração de um tipo específico de jazida considerada estratégica no cenário global, as chamadas terras raras.

De acordo com a revista Exame, quem está por trás da operação são fundos e nomes ligados à mineração mundial, além de executivos com passagens por grandes companhias do setor.

Essa estrutura ajudou a transformar a mineradora em um ativo relevante fora da Ásia, região que concentra a maior parte da produção global desses minerais.

As terras raras são elementos essenciais para a fabricação de tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta precisão, o que explica o interesse crescente de grandes compradores internacionais.

A Serra Verde se destaca justamente por ser a única produtora em grande escala fora do continente asiático, o que a coloca em posição estratégica dentro de uma disputa global por diversificação da cadeia de suprimentos.

A operação comercial começou em 2024, após mais de dez anos de estudos, licenciamento e investimentos que ultrapassam US$ 1,1 bilhão.

A expectativa é que a produção atinja capacidade máxima até 2027, ampliando a participação da empresa no mercado internacional.

Com a venda para a americana USA Rare Earth, a tendência é que a mineradora passe a integrar uma cadeia global mais ampla, conectando a extração em Goiás a etapas industriais em países como Estados Unidos e nações europeias.

Outro ponto relevante do acordo é o contrato de fornecimento de longo prazo, que prevê a comercialização da produção inicial por até 15 anos, com preços mínimos estabelecidos para alguns minerais, o que garante maior previsibilidade financeira ao negócio.

Mesmo com a transação, a operação deve continuar com participação de profissionais brasileiros e impacto direto na economia local, com geração de empregos e arrecadação na região de Minaçu.

O negócio ainda depende de aprovações regulatórias e tem previsão de conclusão até o final de 2026, mas já posiciona a mineradora e Goiás no centro de uma disputa global por minerais considerados essenciais para o futuro da tecnologia e da energia.

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Pedro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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