Inquilino pode ficar com imóvel após 5 anos? Entenda quando a lei permite usucapião

Permanecer por anos no imóvel e pagar contas não garante propriedade; especialista explica o que realmente vale na lei

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
Veja quando o proprietário não pode cobrar caução do inquilino e entenda as regras da Lei do Inquilinato.
(Foto: Freepik)

Muita gente já ouviu aquela história de que “quem fica muito tempo no imóvel acaba virando dono”. À primeira vista, isso até parece fazer sentido, principalmente quando o inquilino mora por anos no mesmo lugar, paga contas e trata o imóvel como se fosse seu.

No entanto, a realidade jurídica é bem diferente, e esse detalhe pode evitar muita dor de cabeça para proprietários e também para quem aluga.

A dúvida ganhou repercussão após explicação do advogado Ruy Carvalho (@ruycarvalho.adv), especialista em direito imobiliário, que esclareceu quando a usucapião pode ou não acontecer nesse tipo de situação.

Inquilino pode pedir usucapião?

De forma direta: não, pelo menos na maioria dos casos.

Isso porque o inquilino entra no imóvel por meio de um contrato de aluguel. Ou seja, ele reconhece formalmente que a propriedade pertence a outra pessoa.

Por esse motivo, a lei entende que não existe “posse com ânimo de dono”, que é um dos principais requisitos para pedir usucapião.

Morar por anos não dá direito ao imóvel

Mesmo assim, muitas pessoas acreditam que o tempo resolve tudo. Porém, apenas morar por vários anos no imóvel não muda a situação jurídica.

Além disso, atitudes comuns do dia a dia também não garantem esse direito, como:

  • Colocar contas de água e energia no próprio nome
  • Receber correspondências no endereço
  • Usar o imóvel como residência principal

Apesar de parecerem sinais de posse, essas ações não substituem os requisitos legais exigidos.

Quando a usucapião pode acontecer

Por outro lado, existem situações excepcionais.

Segundo Ruy Carvalho, Advogado de Inventário e Imóveis, a usucapião só pode ser discutida se houver uma mudança clara na forma de ocupação.

Isso significa que o contrato de aluguel precisa deixar de existir, e o morador deve passar a agir como dono, sem qualquer oposição do proprietário.

Além disso, essa posse precisa ser contínua, pública e sem interrupções, conforme determina a legislação.

O que diz a lei na prática

Na prática, a usucapião exige muito mais do que tempo de permanência.

A lei considera fatores como intenção de dono, ausência de contestação e cumprimento de prazos específicos, que variam conforme o tipo de usucapião.

Por isso, cada caso precisa de análise detalhada.

Atenção para evitar problemas

Para proprietários, o principal cuidado é manter contratos atualizados e acompanhar a situação do imóvel.

Já para inquilinos, é importante entender que permanecer por muitos anos não garante automaticamente a propriedade.

Assim, conhecer as regras evita conflitos e interpretações equivocadas sobre um tema que gera muitas dúvidas.

 

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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