Operação investiga esquema de lavagem de dinheiro na Comurg e bloqueia R$ 3,5 milhões; servidores são afastados
Polícia Civil aponta que suspeitos cobravam até 60% de valores pagos em acordos extrajudiciais firmados com empregados da companhia

A Polícia Civil (PC) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (21), a Operação Pacto Oculto, que investiga um suposto esquema criminoso envolvendo acordos extrajudiciais firmados entre empregados e a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg).
Ao todo, estão sendo cumpridos 55 mandados judiciais, sendo 19 de busca e apreensão, três de prisão temporária, 16 de afastamento de funções públicas e 17 de quebra de sigilos bancário e fiscal.
Também foi determinado o sequestro de bens e valores que somam R$ 3,5 milhões.
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As investigações são conduzidas pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), que apuram crimes como peculato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a PC, o esquema teria funcionado entre os anos de 2022 e 2024, período em que 35 empregados da Comurg solicitaram pagamentos de diferenças salariais, principalmente por alegações de desvio de função.
Foram descobertos diversos processos que apresentavam indícios de irregularidades, como tramitação acelerada, ausência de autorizações formais e falta de documentos que comprovassem os direitos reivindicados pelos funcionários.
Repasse de 60%
De acordo com a investigação, servidores ligados aos setores jurídico e de protocolo da companhia auxiliavam nos processos e cobravam repasses de até 60% dos valores recebidos pelos empregados beneficiados.
A Polícia Civil afirma que o grupo atuava de forma organizada por meio de um ‘pacto oculto’ para viabilizar os pagamentos considerados suspeitos.
As investigações mostram que os acordos extrajudiciais investigados somam aproximadamente R$ 13 milhões.
A operação mobiliza 105 policiais civis e conta ainda com o acompanhamento de três representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO).
Os mandados estão sendo cumpridos em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Trindade.
Apreensões
Segundo a PC, a operação busca apreender celulares, computadores, equipamentos eletrônicos e documentos que possam auxiliar no aprofundamento das investigações.
Os afastamentos determinados pela Justiça atingem servidores públicos suspeitos de participação direta no esquema.
A Polícia Civil ainda não divulgou os nomes dos investigados nem detalhes sobre os alvos das prisões temporárias.
O Portal 6 procurou a Comurg para se posicionar sobre as investigações e os mandados cumpridos na operação. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
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