A carne de segunda macia e saborosa que dá de 10 a 0 em qualquer carne de primeira, segundo açougueiros
Corte popular nos açougues surpreende pelo sabor, pela versatilidade e pelo resultado quando preparado do jeito certo

Na hora de escolher uma carne no açougue, muita gente ainda acredita que os cortes mais caros são sempre os melhores. A lógica parece simples: se custa mais, deve ser mais macia, mais suculenta e mais saborosa.
No entanto, quem entende do assunto sabe que nem sempre é assim.
Algumas carnes consideradas “de segunda” carregam uma fama injusta. Muitas vezes, elas são deixadas de lado apenas por exigirem um preparo um pouco mais cuidadoso.
- Maria do Carmo, dona de açougue: “O cliente acha que carne escura está velha, mas é o contrário; a que está vermelha demais é que levou conservante”
- 36 garrafas PET no lugar do tanque: estudantes criam triciclo movido a ar comprimido que anda sozinho à 10 km/h sem combustível, diesel ou bateria
- Otávio Bittencourt, açougueiro há 25 anos: “A carne maturada custa mais porque descansa semanas em temperatura controlada; é esse tempo que deixa ela mais macia e saborosa”
Mas, quando entram na panela do jeito certo, conseguem entregar um resultado surpreendente, daqueles que fazem qualquer um perguntar qual foi o corte usado.
Entre as opções mais elogiadas por açougueiros está o Acém.
Retirado da parte dianteira do boi, ele costuma ser mais acessível do que cortes nobres, mas tem sabor marcante e grande potencial de maciez.
O segredo está justamente na estrutura da carne. Por ter fibras mais longas e boa presença de colágeno, o acém pode parecer mais firme em preparos rápidos.
Porém, quando cozido com tempo, umidade e temperos adequados, ele se transforma em uma carne macia, suculenta e cheia de sabor.
Na prática, o corte funciona muito bem em receitas de panela, carne desfiada, ensopados, cozidos, picadinhos e até hambúrgueres caseiros.
Além disso, absorve muito bem alho, cebola, ervas, pimentas e molhos, o que ajuda a deixar o prato ainda mais encorpado.
Outro ponto que explica a preferência de muitos profissionais é o custo-benefício. Enquanto carnes de primeira podem pesar no orçamento, o acém entrega rendimento, sabor e versatilidade sem exigir tanto do bolso.
Por isso, antes de escolher apenas pelo nome do corte, vale observar a aparência da peça e conversar com o açougueiro.
Quando bem escolhido e preparado com paciência, o acém prova que uma boa carne não precisa, necessariamente, ter preço de luxo.
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