Otávio Bittencourt, açougueiro há 25 anos: “A carne maturada custa mais porque descansa semanas em temperatura controlada; é esse tempo que deixa ela mais macia e saborosa”

Processo cuidadoso antes da venda ajuda a explicar a diferença no preço e no resultado final do corte no prato

Layne Brito -
A carne maturada custa mais porque descansa semanas
(Foto: Reprodução/Captura de tela/Youtube)

Na frente do balcão do açougue, a diferença de preço entre uma carne comum e uma carne maturada costuma chamar atenção. Para muitos clientes, a dúvida aparece na hora: por que pagar mais caro por um corte que, à primeira vista, parece tão parecido com os outros?

A resposta está em um processo que acontece antes da carne chegar ao consumidor.

Enquanto os cortes tradicionais seguem rapidamente para venda, a carne maturada passa por um período de descanso em ambiente controlado.

Para Otávio Bittencourt, açougueiro há 25 anos, é justamente esse tempo que faz diferença.

Segundo ele, a carne maturada custa mais porque fica semanas em temperatura adequada, passando por um processo que ajuda a deixá-la mais macia e com sabor mais intenso.

Tempo muda a textura

A maturação é uma etapa em que a carne descansa sob controle de temperatura, higiene e armazenamento.

Durante esse período, enzimas naturais atuam nas fibras e ajudam a melhorar a maciez do corte.

Esse processo não significa que a carne está velha ou estragada.

Pelo contrário, quando feito corretamente, ele segue critérios técnicos e exige refrigeração constante.

Otávio explica que o consumidor costuma perceber a diferença principalmente na textura.

A carne maturada tende a ficar mais macia, o que facilita o preparo na frigideira, na grelha ou na churrasqueira.

Preço envolve perda e cuidado

O valor mais alto também está ligado ao custo do processo.

A carne precisa ocupar espaço refrigerado por mais tempo, exige controle constante e não pode ser vendida imediatamente.

Além disso, em alguns tipos de maturação, há perda de peso por evaporação e necessidade de aparar partes externas antes da venda.

Tudo isso interfere no preço final.

Por isso, a carne maturada costuma ser tratada como um produto mais selecionado.

Ela exige cuidado do açougue, equipamento adequado e atenção durante todo o período de descanso.

Sabor fica mais concentrado

Além da maciez, o sabor também muda. Com o tempo de maturação, o corte pode ganhar um gosto mais marcante e uma sensação mais suculenta no preparo.

Essa característica é valorizada principalmente em carnes para churrasco, bifes altos e cortes servidos ao ponto.

Picanha, contrafilé, ancho, chorizo e maminha estão entre as opções que costumam aparecer nesse tipo de venda.

Ainda assim, Otávio reforça que a escolha depende do gosto de cada pessoa.

Quem prefere uma carne de sabor mais suave pode estranhar cortes maturados por períodos mais longos.

Compra exige atenção

Na hora de comprar, o consumidor deve observar a procedência e o armazenamento.

A carne precisa estar refrigerada, bem embalada e vendida em local limpo.

Também é importante diferenciar maturação de má conservação.

Cheiro forte demais, textura pegajosa e líquido em excesso podem indicar problema e não devem ser ignorados.

Para o açougueiro, a melhor saída é conversar no balcão.

Perguntar o tipo de maturação, o tempo de descanso e a melhor forma de preparo ajuda a evitar erro na escolha.

No fim, a carne maturada não é mais cara apenas pelo nome.

O preço reflete tempo, técnica, controle e perda no processo. Quando bem feita, pode entregar uma carne mais macia, saborosa e com resultado superior no prato.

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Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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