Maria do Carmo, dona de açougue: “O cliente acha que carne escura está velha, mas é o contrário; a que está vermelha demais é que levou conservante”
Aparência no balcão pode confundir consumidores e esconder detalhes importantes na hora de escolher a peça

Na hora de escolher carne no açougue, muita gente usa os olhos como primeiro critério. Se a peça está bem vermelha, a impressão costuma ser de frescor. Se aparece mais escura, muita gente desconfia, pede outra opção ou simplesmente desiste da compra.
Mas, para quem trabalha há anos atrás do balcão, essa avaliação nem sempre é tão simples.
A cor da carne pode mudar por diversos fatores, como o contato com o ar, o tipo de corte, a idade do animal, a embalagem, a iluminação e o tempo de exposição.
Maria do Carmo, dona de açougue, diz que um dos maiores enganos dos clientes é acreditar que toda carne mais escura está velha.
Segundo ela, em muitos casos, a tonalidade mais fechada pode indicar apenas menor contato com oxigênio ou uma peça recém-retirada da embalagem a vácuo.
Cor não conta tudo
A carne bovina tem uma proteína chamada mioglobina, responsável por parte da coloração avermelhada.
Quando entra em contato com o oxigênio, a superfície tende a ficar mais viva e com tom vermelho intenso.
Por isso, uma peça retirada da embalagem a vácuo pode parecer mais escura no início e mudar de cor depois de alguns minutos exposta ao ar.
Essa transformação é normal e não significa, por si só, que a carne esteja estragada.
Maria afirma que o consumidor precisa observar mais do que a cor.
Cheiro, textura, procedência, refrigeração e limpeza do local também devem entrar na avaliação antes da compra.
Vermelho demais também merece atenção
Segundo a dona de açougue, outra confusão comum acontece com carnes de vermelho muito vivo e aparência exageradamente uniforme.
Para ela, esse aspecto pode levantar suspeitas quando não combina com o restante das características da peça.
No entanto, a cor intensa não prova sozinha o uso de conservantes.
Em muitos casos, o vermelho forte aparece pelo contato com o oxigênio, pela iluminação do balcão ou pelo tipo de embalagem usada para conservar o produto.
Ainda assim, o consumidor deve desconfiar quando a carne parece artificialmente brilhante, solta líquido em excesso, tem cheiro forte ou apresenta textura pegajosa.
Esses sinais exigem mais cuidado e, se houver dúvida, o melhor é não levar.
Como escolher melhor
Na prática, uma carne boa deve ter aparência úmida, mas não encharcada. O cheiro precisa ser suave, sem odor azedo, forte ou desagradável.
A gordura também ajuda na avaliação. Em geral, ela deve ter coloração clara, sem manchas estranhas ou aspecto rançoso.
Já o balcão precisa estar limpo, refrigerado e organizado.
Para Maria do Carmo, o cliente não deve ter vergonha de perguntar.
Saber quando a carne foi cortada, de onde veio e qual corte combina melhor com a receita pode evitar erro na compra.
No fim, a dica da dona de açougue é simples: não escolha carne apenas pela cor mais bonita.
O segredo está em observar o conjunto e entender que nem sempre a peça mais vermelha é a melhor opção.
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