Tratamento usado no combate ao câncer pode reverter os cabelos grisalhos? O que diz a ciência

Achado inesperado em pacientes com câncer reacende debate sobre envelhecimento dos fios, mas ainda exige cautela científica

Gustavo de Souza -
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(Foto: Reprodução/Silviobromberg.com)

Os cabelos grisalhos podem parecer apenas um sinal natural da idade, mas têm mobilizado uma pergunta cada vez mais investigada pela ciência: em algumas situações, seria possível recuperar a pigmentação perdida?

A dúvida ganhou força depois que médicos observaram um efeito incomum em pacientes com câncer de pulmão submetidos à imunoterapia. O fenômeno, porém, ainda está longe de significar uma solução contra fios brancos.

O que foi observado

Em 2017, um estudo publicado na JAMA Dermatology relatou 14 casos de pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas tratados com medicamentos anti-PD-1 e anti-PD-L1, usados para ajudar o sistema imunológico a combater tumores.

Durante o acompanhamento, 13 pacientes tiveram escurecimento difuso dos cabelos. Em outro caso, surgiram áreas escuras entre fios brancos.

Os autores levantaram a hipótese de que a repigmentação poderia funcionar como possível sinal de resposta ao tratamento naquele contexto específico. A observação, no entanto, veio de uma série de casos pequena, e não de um ensaio clínico voltado para cabelos grisalhos.

Por que ainda não é tratamento

A imunoterapia é um recurso oncológico, com indicação rigorosa e risco de efeitos adversos. O National Cancer Institute, dos Estados Unidos, alerta que esse tipo de tratamento pode levar o sistema imune a atacar tecidos saudáveis.

Hoje, não há terapia médica eficaz e aprovada para devolver cor aos cabelos brancos, segundo a American Academy of Dermatology. O que existe são pistas sobre a biologia do folículo piloso e o papel das células-tronco melanocíticas, responsáveis pela renovação das células que produzem pigmento.

Pesquisas conduzidas por Melissa Harris, da Universidade do Alabama em Birmingham, investigam esse processo em modelos animais. Os resultados ajudam a entender se algumas células ligadas à pigmentação podem ser reativadas.

Por enquanto, a ciência mostra que a repigmentação pode ocorrer em circunstâncias específicas. Mas transformar esse achado em tratamento seguro ainda depende de novos estudos.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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