Diogo Souza, especialista em comunicação: “Quem começa uma frase com ‘não vou mentir’ está prestes a fazer exatamente isso”

Expressões usadas para reforçar sinceridade podem provocar o efeito contrário e despertar desconfiança, embora o contexto seja decisivo

Gustavo de Souza -
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You, série da Netflix. (Foto: Reprodução)

Algumas expressões parecem funcionar como garantias de sinceridade durante uma conversa. No entanto, quando o falante sente a necessidade de assegurar antecipadamente que dirá a verdade, a escolha das palavras pode despertar desconfiança no interlocutor.

Para o especialista em comunicação Diogo Souza, esse é o caso de quem inicia uma frase com “não vou mentir”. Segundo ele, a construção pode indicar que a pessoa está prestes a distorcer os fatos, omitir informações ou apresentar uma opinião difícil de sustentar.

A frase costuma aparecer antes de críticas, revelações ou comentários que o interlocutor deseja tornar mais aceitáveis. Assim, funciona como uma preparação emocional para o que será dito.

Tentativa de reforçar a credibilidade

Expressões como “sendo bem sincero”, “para falar a verdade” e “acredite em mim” são chamadas de marcadores de credibilidade. Elas podem ser empregadas para destacar uma declaração, reduzir resistências ou influenciar a maneira como a mensagem será recebida.

O efeito, porém, nem sempre é positivo. Quando o reforço parece desnecessário, o ouvinte pode questionar por que a sinceridade precisou ser anunciada antes da informação.

Uma frase não comprova mentira

Apesar da observação de Santos, pesquisadores alertam que nenhuma palavra isolada permite identificar uma mentira com segurança. Um estudo internacional publicado em 2025 concluiu que os sinais linguísticos associados ao engano apresentam efeitos pequenos e inconsistentes entre diferentes contextos e idiomas.

A interpretação também depende do hábito de fala, da cultura e da situação. Em muitos casos, “não vou mentir” é apenas uma expressão automática, usada para enfatizar surpresa, franqueza ou opinião pessoal.

Por isso, a frase pode servir como sinal para prestar atenção ao restante da conversa, mas não como prova de desonestidade. Contradições, mudanças na narrativa e ausência de elementos verificáveis são critérios mais relevantes do que uma única escolha de palavras.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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