A psicologia afirma que quem reclama de tudo o tempo inteiro pode não estar querendo incomodar, mas tentando aliviar sua dor
Comportamento pode estar relacionado à ruminação, padrão mental que mantém a pessoa presa aos problemas sem encontrar soluções práticas

Conviver com alguém que reclama do trabalho, do trânsito, da família e até de pequenos imprevistos pode ser desgastante. No entanto, a queixa constante nem sempre surge apenas da intenção de incomodar ou de uma suposta falta de gratidão.
Segundo a psicologia, o comportamento pode estar relacionado à ruminação cognitiva. Esse padrão faz com que a pessoa retome pensamentos, erros e preocupações repetidamente, mesmo sem chegar a uma solução.
Isso não significa que toda pessoa que reclama tenha um transtorno psicológico. A frequência, o contexto e os impactos do comportamento precisam ser considerados antes de qualquer conclusão.
O que é ruminação cognitiva?
Conforme estudos da psicologia comportamental, a ruminação é caracterizada pela repetição excessiva de pensamentos, geralmente negativos, que interfere em outras atividades mentais. Ela pode envolver lembranças de conflitos, injustiças, arrependimentos e possíveis cenários ruins.
Diferentemente de uma reflexão produtiva, esse processo não costuma resultar em decisões ou ações concretas. A pessoa repassa o mesmo problema, imagina respostas diferentes e revive as emoções provocadas pela situação.
A reclamação pode surgir, então, como uma tentativa de organizar o desconforto ou conseguir alívio emocional. Entretanto, repetir a queixa continuamente também pode manter a atenção concentrada no aspecto negativo.
Estudos relacionam a ruminação a dificuldades para solucionar problemas e a quadros de ansiedade e depressão. Ainda assim, o comportamento isolado não permite estabelecer nenhum diagnóstico.
Como diferenciar desabafo e reclamação constante?
Um desabafo saudável costuma ajudar a pessoa a reconhecer o que sentiu e pensar nos próximos passos. Mesmo que não exista uma solução imediata, a conversa proporciona alguma compreensão ou mudança de perspectiva.
Já na reclamação repetitiva, o assunto tende a voltar sem avanços. Sugestões podem ser rejeitadas, enquanto novos problemas são incorporados ao mesmo ciclo de insatisfação.
Quem convive com esse comportamento pode demonstrar acolhimento sem assumir todas as queixas. Perguntar se a pessoa busca apenas ser ouvida ou deseja pensar em uma solução pode tornar a conversa mais objetiva.
Também é possível estabelecer limites respeitosos quando os mesmos assuntos dominam frequentemente os diálogos.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








