Conheça o lugar mais isolado da Europa que fica inacessível por oito meses e ninguém consegue entrar
Onde poucos humanos pisam, a natureza dita as regras, molda destinos esquecidos em vales isolados e antigas tradições resistem ao tempo enquanto o mundo moderno observa

Aninhada nas encostas mais remotas das Montanhas do Grande Cáucaso, no nordeste da Geórgia, está Tusheti, uma região histórica que desafia padrões modernos de acesso e conectividade.
Geograficamente definida como parte da Europa pela linha de divisão das montanhas, Tusheti é remota não por escolha, mas por sua selvageria climática e geográfica.
Por grande parte do ano, suas vilas permanecem bloqueadas, isoladas do restante do país e do mundo pela neve e por estradas que o inverno simplesmente engole.
A única ligação terrestre de Tusheti com o exterior é a estrada que atravessa o Abano Pass, uma rota íngreme que sobe a cerca de 2.900 metros de altitude sobre o nível do mar.
Este caminho estreito e não pavimentado, considerado um dos mais desafiadores da Europa, é vulnerável a neve, deslizamentos e rochas soltas.
Por isso, permanece transitável apenas por alguns meses durante o verão, geralmente de junho a outubro, quando veículos 4×4 habilidosos e preparados conseguem enfrentar suas curvas e precipícios.
Nos restantes meses, o acesso terrestre é impossível, e qualquer chegada só se dá por helicóptero, recurso raro e restrito.
O caminho para chegar até lá
Esse isolamento tem profundas consequências na vida local. Durante o inverno, a maioria dos habitantes abandona as aldeias e desce para regiões mais baixas, deixando apenas alguns guardas fronteiriços ou moradores extremamente resistentes à solidão das montanhas.
As casas ficam vazias, sem eletricidade ou suprimentos, à mercê de uma paisagem coberta por neve e silêncio absoluto. Somente com a chegada da primavera e o degelo gradual é que a vida retorna, assim como os visitantes curiosos pela cultura e natureza únicas da região.
No curto período em que as portas de Tusheti se abrem, a região revela uma tapeçaria natural excepcional e tradições preservadas. Rios límpidos, vales verdejantes e florestas subalpinas abrigam espécies raras e paisagens impressionantes que parecem intocadas pelo tempo moderno.
Vilarejos como Omalo, com suas torres defensivas medievais e museus etnográficos, oferecem um vislumbre da história dos Tush, povo montanês que habita essas encostas há séculos.
Esse encontro entre isolamento extremo e patrimônio cultural cria uma experiência singular, tornando Tusheti um dos lugares mais enigmáticos e desafiadores da Europa.
Para viajantes e estudiosos, a região não é apenas um destino: é um laboratório vivo de adaptação humana, uma janela para modos de vida que prosperam, apesar de ou talvez por causa de condições que hoje poucos lugares no continente ainda conhecem.
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