Especialistas explicam por que chuvas seguem intensas em Goiás após volumes recordes

Fenômeno conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) canaliza umidade e deve manter o estado sob nebulosidade e temporais 

Samuel Leão Samuel Leão -
Chuvas devem persistir em Goiás. (Foto: Reprodução/Cimehgo)
Chuvas devem persistir em Goiás. (Foto: Reprodução/Cimehgo)

Após os recordes de precipitação registrados em diversos municípios goianos na última terça-feira (20), o cenário meteorológico para o restante da semana continua exigindo atenção.

Especialistas do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (CIMEHGO) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) detalharam os motivos técnicos que estão fazendo com que as nuvens ganhem uma espécie de “turbinada”, provocando volumes expressivos de água em curto espaço de tempo.

Segundo André Amorim, gerente do CIMEHGO, a principal causa do aumento no volume de chuvas é o avanço de uma frente fria que se canalizou em uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).

“Nós temos um corredor de umidade atuando no estado. Enquanto uma frente fria comum traz chuvas de 10 a 20 milímetros de forma mais coerente, a ZCAS amplifica essa força. É como se fosse uma turbinada na nuvem, ganhando volumes bem expressivos em pouco tempo”, explicou.

A meteorologista Elizabete Alves, do Inmet, reforça que este canal de umidade, que liga a região Norte à frente fria estacionada no Sudeste, é típico do período entre novembro e março no Centro-Oeste. Ela destaca, no entanto, a extrema irregularidade dos temporais deste verão.

“A chuva é muito variável. Em uma distância de apenas 5 km, o volume pode mudar drasticamente. Percebemos que, em um setor de uma cidade, a pancada pode ser intensa, enquanto no outro o clima permanece tranquilo”, afirmou.

Números alcançados

Em Goiás, as médias são separadas por regiões onde estão situadas as estações meteorológicas do Inmet, e são baseadas nas precipitações registradas entre os anos de 1991 e 2020, de modo a balizar as projeções de expectativas. Mínimas e máximas variam entre 199mm e 281mm.

Contudo, para este mês de janeiro, a previsão é de que os acumulados em todo o Estado fechem entre 200 mm e 330 mm.

Em Goiânia, os dados já apontam que o mês de janeiro deve terminar acima da média histórica. Enquanto o esperado para a capital é de 249,2 mm, até o momento foram registrados 240 mm em 21 dias.

Pirenópolis tem os números mais altos de Goiás, com média esperada de 281 mm e acumulado já registrado de 269mm.

Por outro lado, a região com menor incidência é Posse, que espera 199 mm, mas que, até o momento, registrou apenas 73 mm.

Deste modo, nenhuma das localidades do Estado superou a média esperada para o mês como um todo até esta quarta-feira (21).

Momento de atenção

Um ponto que chama a atenção dos especialistas é a persistência da nebulosidade. Mesmo quando a precipitação cessa, o céu permanece carregado, o que impede a elevação brusca das temperaturas e mantém a sensação de tempo fechado.

André Amorim alerta que esse sistema de convergência deve continuar atuando sobre Goiás pelo menos até a próxima sexta-feira (24).

A orientação é que a população continue acompanhando os alertas diários, já que a característica de “pancadas intensas e rápidas” dificulta previsões de longo prazo para bairros específicos.

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Samuel Leão

Samuel Leão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás, com passagens por veículos como Tribuna do Planalto e Diário do Estado. É mestrando em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado pela Universidade Estadual de Goiás. Passou pela coluna Rápidas. Atualmente, é repórter especial do Portal 6.

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