Bairro na Holanda chama atenção ao exigir horta em todas as casas

Em Oosterwold, em Almere, a regra é clara: boa parte do terreno precisa virar produção de alimentos — e os próprios moradores assumem parte da infraestrutura do bairro

Magno Oliver Magno Oliver -
Bairro na Holanda chama atenção ao exigir horta em todas as casas
(Foto: Captura de Tela/YouTube)

Imagine comprar um lote em um bairro planejado na Holanda e descobrir que, antes de pensar na garagem ou na varanda, você precisa reservar espaço para plantar. Em Oosterwold, distrito da cidade de Almere (próxima a Amsterdã), a proposta foge do urbanismo tradicional e virou referência internacional: cada morador deve destinar cerca de metade do terreno para cultivo, com hortas, pomares, estufas ou outras formas de produção de alimentos.

Oosterwold nasceu como um grande experimento urbano: criar um bairro verde, mais autossuficiente e com forte participação dos moradores — não só no cultivo, mas também na forma como as casas e o entorno são construídos. Por lá, a ideia é que o alimento faça parte do desenho do lugar, e não apenas um “extra” no quintal.

A regra que torna o bairro único

O que mais chama atenção é o “mandamento” do bairro: pelo menos 50% (em alguns documentos, 51%) do lote deve ser usado para agricultura urbana. Isso significa que jardins meramente ornamentais perdem espaço para canteiros produtivos, árvores frutíferas e pequenas áreas de plantio.

A proposta também limita a ocupação do terreno com construção, justamente para garantir que o bairro permaneça aberto e verde — e que a produção de alimentos seja, de fato, o “coração” do projeto.

Liberdade para construir — com responsabilidade

Outro diferencial é o modelo de desenvolvimento: Oosterwold foi pensado para dar muita liberdade aos residentes na hora de construir suas casas, mas com contrapartidas. Em vez de receber tudo pronto, há um incentivo à auto-organização: moradores participam do planejamento e, em muitos casos, ajudam a viabilizar infraestrutura local, como acessos e soluções do próprio bairro.

Na prática, isso cria uma comunidade em que cada escolha individual afeta o todo — do tipo de cultivo ao cuidado com a área verde e a convivência entre vizinhos.

Por que isso virou tendência (e assunto de pesquisa)

Oosterwold atrai atenção porque une dois temas cada vez mais valorizados: qualidade de vida urbana e sustentabilidade real. Estudos sobre planejamento e agricultura periurbana apontam o bairro como um caso emblemático por integrar produção de alimentos em grande escala dentro de um projeto de expansão urbana.

A lógica é simples: mais verde, mais cultivo, mais sensação de bairro vivo — e menos dependência de sistemas tradicionais para tudo.

Nem tudo é “perfeito”: os desafios do modelo

Como todo experimento, Oosterwold também enfrenta desafios práticos, especialmente quando o crescimento é rápido e exige soluções técnicas. Um exemplo é a busca por alternativas de infraestrutura, como tratamento descentralizado de esgoto, que chegou a ter projetos específicos para atender parte das residências.

Além disso, pesquisas destacam que muitos moradores não têm experiência agrícola, o que pode dificultar a meta de tornar o cultivo realmente produtivo — e não apenas simbólico.

Um bairro onde o quintal virou protagonista

No fim, Oosterwold chama atenção por inverter prioridades: em vez de perguntar “onde vou colocar a piscina?”, a regra do lugar faz a pergunta ser outra — “o que você vai plantar?”. E é justamente essa mistura de liberdade, natureza e compromisso coletivo que colocou o bairro no radar de curiosos, urbanistas e viajantes.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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