Encostou, dormiu: o que a ciência diz sobre quem pega no sono em menos de cinco minutos

Dormir quase instantaneamente pode parecer um privilégio, mas o que esse hábito revela sobre o funcionamento silencioso do seu cérebro pode surpreender

Isabella Victória -
Encostou, dormiu: o que a ciência diz sobre quem pega no sono em menos de cinco minutos
(Foto: Ilustração/Pexels/ Ivan Oboleninov)

Tem gente que se gaba: “é só encostar que eu apago”. Parece eficiência máxima.

Mas, segundo a ciência do sono, esse “superpoder” pode ser um sinal claro de que o corpo está funcionando no vermelho.

Dormir quase instantaneamente — em menos de cinco minutos — costuma indicar privação severa de sono.

Em condições normais, uma pessoa descansada leva entre 10 e 20 minutos para adormecer.

Esse intervalo, conhecido como latência do sono, é o tempo que o cérebro precisa para desacelerar, sair do estado de alerta e entrar no repouso.

Quando essa transição acontece rápido demais, o organismo pode estar simplesmente exausto.

Latência do sono: o termômetro invisível do cansaço

A rapidez com que alguém pega no sono não mede qualidade, mas necessidade.

Uma latência muito curta é classificada como sonolência patológica — um estado em que o cérebro está tão privado de descanso que “desliga” assim que tem oportunidade.

Isso não significa que a pessoa dorme melhor.

Pelo contrário: pode ser reflexo de noites insuficientes acumuladas ao longo de dias ou semanas.

A dívida invisível que se acumula

A ciência já demonstrou que a falta de sono funciona como uma dívida progressiva.

Um estudo publicado na revista Sleep, revelou que dormir seis horas ou menos por noite durante duas semanas gera prejuízos cognitivos comparáveis a passar duas noites inteiras em claro.

O dado mais preocupante: os participantes não percebiam o quanto estavam mentalmente comprometidos.

Mesmo com queda na atenção e no tempo de reação, acreditavam estar funcionando normalmente.

Ou seja, o cérebro se adapta à sensação de cansaço — mas não aos danos que ela causa.

Quando o corpo dá sinais

Nem sempre a privação de sono se manifesta de forma óbvia. Alguns indícios comuns incluem:

  • Cansaço persistente, mesmo após “dormir a noite toda”
  • Dificuldade de concentração em tarefas simples
  • Irritabilidade frequente
  • Sonolência em horários inadequados
  • Dependência de cafeína para manter o ritmo

Se encostar e dormir virou rotina, vale prestar atenção ao restante do dia.

Impactos que vão além do cansaço

Dormir menos do que o necessário de forma contínua afeta muito mais do que o humor.

A restrição crônica de sono está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade.

Parte disso ocorre porque a falta de descanso altera hormônios como leptina e grelina, responsáveis pela regulação da fome e da saciedade.

Durante o sono, o cérebro também realiza um processo essencial de “limpeza”, eliminando proteínas acumuladas ao longo do dia.

Quando essa etapa é interrompida repetidamente, pode haver maior risco de declínio cognitivo ao longo dos anos.

O sistema imunológico também perde eficiência, deixando o organismo mais suscetível a infecções.

Como recuperar o equilíbrio

Restabelecer a qualidade do sono exige regularidade. Algumas medidas simples ajudam:

  • Manter horários fixos para dormir e acordar
  • Reduzir o uso de telas antes de deitar
  • Evitar cafeína e álcool à noite
  • Criar um ambiente escuro, silencioso e confortável

Se, mesmo com ajustes na rotina, a pessoa continua adormecendo em poucos minutos ou sente sonolência excessiva ao longo do dia, a avaliação médica é recomendada.

Distúrbios do sono podem estar por trás do quadro.

Dormir rápido demais não é sinal de eficiência extrema — pode ser o corpo pedindo socorro.

Às vezes, o que parece vantagem é apenas o reflexo de um descanso que nunca foi suficiente.

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Isabella Victória

Estudante de Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária de SEO no Portal 6. Atua na produção de conteúdo otimizado para a web, com interesse em curiosidades, comportamento, tendências digitais e temas do cotidiano, sempre com uma abordagem leve, clara e informativa.

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