Alquimia moderna: cientistas transformam chumbo em ouro
Experimento no maior acelerador de partículas do mundo realizou, por frações de segundo, uma das antigas promessas da alquimia — com base na física nuclear moderna.
Durante séculos, a ideia de transformar um elemento em ouro foi tratada como objeto de estudo dos alquimistas, que buscavam a pedra filosofal para alcançar seus objetivos.
Agora, longe dos ambientes do precioso trabalho dos alquimistas, cheios de frascos e fórmulas, o anseio foi realizado em um dos ambientes mais tecnológicos do planeta: o Grande Colisor de Hádrons (LHC), na Europa.
No interior da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN), em Genebra, físicos submeteram átomos de chumbo a condições extremas de colisão dentro do acelerador de partículas do laboratório.
O resultado foi algo que parece vir diretamente dos conhecimentos seculares: a conversão do metal pesado em ouro — ainda que por um intervalo de tempo quase imperceptível.
Ao acelerar núcleos de chumbo a velocidades próximas à da luz e forçá-los a interagir, os cientistas conseguiram provocar alterações na estrutura atômica do elemento.
Ao modificar o número de prótons no núcleo — também chamado de número atômico, característica que define cada elemento químico —, parte dos átomos deixou de ser chumbo e passou a corresponder ao ouro na tabela periódica.
A transformação, no entanto, não foi definitiva. O ouro produzido existiu apenas por frações de segundo antes de se desintegrar. Além disso, o custo energético e tecnológico envolvido torna aplicações práticas inviáveis atualmente.
Não se trata mais de um anseio místico, mas de uma demonstração sofisticada da capacidade de manipular a matéria em escala subatômica.
O experimento, detalhado em estudo publicado na revista *Physical Review*, marca um momento simbólico: a ciência contemporânea realizou aquilo que alquimistas do século XVII buscavam sem compreender os fundamentos nucleares da matéria.
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