Homem que diz ser dono do Real Privê chama motoristas de aplicativo de ‘máfia’ e expõe estratégia para aumentar o preço de corridas

Suposto proprietário chama os condutores de 'máfia' e diz que estariam cancelando corridas para elevar o preço durante a madrugada

Ícaro Gonçalves -
Entrada do clube Real Privê, em Aparecida de Goiânia
Entrada do clube Real Privê, em Aparecida de Goiânia (Foto: Reprodução)

Um áudio supostamente atribuído ao proprietário do clube Real Privê tem circulado pelas redes sociais e chamado atenção ao expor uma suposta estratégia de motoristas de aplicativo de Goiânia e Aparecida para prejudicar a clientela do empreendimento.

Na gravação vazada, a pessoa que se identifica como responsável pelo clube chama os motoristas que atuam durante a madrugada de “máfia” e diz que eles estariam usando uma brecha nos aplicativos para elevar o valor das corridas a preços absurdos.

Em um dos trechos, o suposto proprietário declara: “O cliente chama lá de dentro, só que eles não aceitam. Aí eles aceitam, cancelam, aceitam, cancelam, pra chegar no preço que eles querem”, diz.

No áudio, ele atribui essa suposta conduta a um grupo específico de motoristas, que antes recebiam comissão de R$ 130 por cliente transportado até o local. As gratificações, no entanto, teriam sido cortadas, o que motivou a reação dos profissionais.

“Já tinha uma patota ali, uma gangue. Ficava aquela máfia ali”, diz o homem, que não teve a real identidade revelada.

Como forma de resposta ao boicote feito pelos motoristas, o responsável revela o plano de contratar motoristas específicos para atender a demanda do local, com comissão de até R$ 500.

“Vou botar 15 motorista ali pra quebrar a perna deles. Aí os que vão trabalhar pra mim ali, além de levar os clientes lá, depois das cinco horas eles vão faturar rodando com o carro, entendeu? Trabalhar na cidade pra levantar mais uma grama. E vai quebrar a perna daqueles caras, porque eles querem afrontar a minha pessoa”, acrescenta o homem no áudio.

As declarações repercutiram rapidamente entre motoristas de transporte por aplicativo, que passaram a compartilhar o conteúdo em grupos de mensagens e redes sociais.

O próprio áudio registra um momento em que outro participante da conversa faz uma advertência: “Muito cuidado da forma que o senhor fala. Pra acusar alguém, pra chamar de mafioso, de ladrão, de bandido, tem que ter prova”, que aparenta ser membro do grupo de motoristas que atuam na madrugada.

Até o momento da publicação desta reportagem, não houve manifestação oficial do Real Privê a respeito do conteúdo dos áudios ou sobre eventual implementação das medidas mencionadas na gravação. O espaço para posicionamento permanece em aberto.

Também não foram apresentadas evidências que comprovem as acusações sobre ação coordenada entre motoristas para manipular corridas ou prejudicar o estabelecimento.

 

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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