Operação resgata 55 pessoas em condições análogas à escravidão em Goiás, após promessa de ganhos de até R$ 10 mil
Trabalhadores saíram da Bahia e de Minas Gerais, atraídos pela promessa de ganhos para realizar extração de palha de milho utilizada na fabricação de cigarros

Uma força-tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 55 trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão em uma propriedade rural de Cezarina, no Sul de Goiás.
Entre as vítimas estão nove mulheres. Os trabalhadores haviam saído dos estados da Bahia e de Minas Gerais após serem atraídos pela promessa de ganhos mensais entre R$ 6 mil e R$ 10 mil para atuar na extração de palha de milho utilizada na fabricação de cigarros.
Durante a fiscalização, realizada com apoio da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (SEDS), foram identificadas diversas irregularidades.
Os trabalhadores permaneceram cerca de 50 dias à disposição do empregador, mas atuaram efetivamente por apenas dez dias.
Além dos atrasos salariais, eles enfrentavam falta de água potável fornecida pelo contratante e não tinham locais adequados para fazer refeições durante a jornada de trabalho.
As autoridades também apuraram que aproximadamente 150 pessoas foram inicialmente recrutadas para a atividade.
No entanto, cerca de 100 desistiram e retornaram para suas cidades por conta própria, mesmo sem receber os valores prometidos. Os 55 resgatados permaneceram no local porque não tinham recursos para custear a viagem de volta.
Diante da situação, o Ministério do Trabalho providenciou a compra de passagens de ônibus, em Goiânia, para que as vítimas retornassem aos estados de origem. Além disso, cada trabalhador terá direito a três parcelas do seguro-desemprego, no valor de R$ 1.621.
O Ministério Público do Trabalho informou que deve ingressar com uma ação para cobrar o pagamento das verbas rescisórias e indenizações por danos morais individuais e coletivos.
Já o empregador poderá ser incluído no Cadastro de Empregadores que submeteram pessoas a condições análogas à escravidão, conhecido como “Lista Suja”.
O caso também foi encaminhado à Polícia Federal, que investigará possíveis crimes de aliciamento, tráfico de pessoas e redução à condição análoga à de escravo.
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