Tropical Pneus é uma das empresas investigadas por fraudes em 174 cidades goianas

GAECO, que já conseguiu prender sete pessoas envolvidas no esquema, quer atitude por parte das prefeituras

Karina Ribeiro -

A Tropical Pneus e outra gigante do setor de venda de pneus, que não teve o nome revelado, estão envolvidas num esquema de fraudes de licitações em, pelo menos, 178 municípios goianos, além da atuação nos estados do Mato Grosso (MT), Tocantins (TO) e Bahia (Ba).

A investigação, que ocorre desde 2018, realizou mandado de busca e apreensão, além de sete mandados de prisão nesta manhã de terça-feira (26).

Estão à frente o Ministério Público de Goiás (MPGO) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Chamada de Operação Fator R, a operação busca emparedar uma complexa organização criminosa empresarial que criou um esquema fraudulento chamado Falso Simples.

Na prática, conforme a lei das licitações, em determinados pregões, empresas de grande porte não podem participar juntamente com empresas de pequeno ou médio porte.

“É uma forma de reduzir as desvantagens. No estatuto, existem regras para que pequenas e médias empresas concorram para que não percam em vantagens tributárias e trabalhistas”, explicou em entrevista coletiva o promotor da Gaeco, Sandro Barros.

Assim, essas empresas criaram outras seis, qualificando-as como empresa de pequeno porte ou microempresa quando, na verdade, tratava-se de um único grupo empresarial de grande porte.

Esse é o ‘melhor dos mundos’, explica Sandro. Já que compravam em grande quantidade, com valores menores e ainda concorriam de forma desleal com pequenas empresas.

“Em inúmeras situações, as pessoas jurídicas possuíam endereço cadastrado semelhante, com o mesmo núcleo familiar nos quadros sociais, evidenciando se tratar de um único conglomerado, que atuava em conjunto, no mesmo propósito: fraudar licitações, obter vantagem e ocultar patrimônio”, diz.

O início da operação começou com pequenas observações nos portais de transparência. Para ele, os municípios e órgãos acabaram sendo vitimas do complexo esquema de atuação. Agora, vão compartilhar informações com as prefeituras para que elas façam anulação de cada contrato irregular.

A reportagem do Portal 6 entrou em contato com a empresa, via e-mail e, até o momento da publicação, não obteve retorno.

 

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