Entenda como funcionava mega esquema criminoso com criptomoedas em Bela Vista de Goiás

Mais de R$ 20 milhões gerados pelo golpe, além de carro de luxo, já foram confiscados pela Polícia Civil

Karina Ribeiro -
Imagem do momento em que a Polícia Civil entra na casa de grupo de criminosos que utilizavam criptomoedas. (Foto: Divulgação/PC)

O conhecido crime da pirâmide financeira ganhou ares sofisticados em Goiás. Pela primeira vez no estado, um esquema criminoso que utilizava criptomoedas foi desmantelado pela Polícia Civil (PC).

Neste caso, os ganhos robustos prometidos envolviam também jogos esportivos virtuais. Tudo acontecia na pequena cidade de Bela Vista, situada a 45km de Goiânia, e saltava aos olhos de “investidores” de diferentes portes – indo de borracheiro, possível bancário e empresários.

Mais de R$ 20 milhões foram sequestrados em 15 contas bancárias, além de carros de luxo.

Foram cumpridos quatro mandatos de prisão preventiva na última sexta-feira (26), sendo que uma pessoa está foragida. De acordo o delegado da Delegacia do Consumidor (Decon), Webert Leonardo, o perfil dos cinco mentores era semelhante: jovens, com 20 e poucos anos, além da presença de uma mulher.

“Do dia para a noite, eles começaram a movimentar alto volume de dinheiro em contas bancárias. O ineditismo dessa situação está na conversão de criptomoedas em dinheiro foi feito no local, travando o sistema”, explica.

Conforme o delegado, ainda se busca entender a origem desse recurso, mas o tráfico de drogas não está descartado, além do próprio dinheiro que entrava de populares, como forma de retroalimentar a lavagem de dinheiro.

“Eles estudaram muito sobre o esquema”, salienta. Para Webert, comum em casos semelhantes, a ostentação era um chamariz natural para atrair a clientela.

Durante mais de um ano, eles retornavam ‘lucros’ entre 30% a 50% ao mês para cada pessoa – sendo que a inadimplência começou em outubro deste ano. “Ainda é impossível mensurar quantas pessoas caíram, muita gente da cidade e também imaginamos que de outros lugares, somente um deles tinha mais de 700 mil seguidores nas redes sociais”, revela.

De agora em diante, esse será o caminho das investigações. Tentar fazer uma radiografia do número de pessoas que caíram no golpe e a quantidade que cada uma delas investiu. Para se ter ideia, somente uma comerciante de Bela Vista, chegou a empregar mais R$ 300 mil no esquema.

Para o delegado, o mais importante é ganhar expertise com esse tipo de crime, que tende a se tornar cada vez mais comum.

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