Gigante dos alimentos compra fábrica polêmica de SC em meio à recuperação judicial
Negociação ocorreu durante recuperação judicial e inclui compensação de dívidas entre empresas envolvidas

A rotina no bairro Cordeiros, em Itajaí, pode estar prestes a passar por uma transformação. Uma das indústrias mais comentadas da região mudou de controle recentemente, em meio a um cenário de reestruturação financeira e expectativa por melhorias na operação.
A nova administração afirma que pretende implementar ajustes operacionais e adotar práticas mais sustentáveis, alinhadas a estratégias de reaproveitamento de resíduos e redução de impactos ambientais.
A promessa é de uma atuação mais responsável e eficiente no tratamento dos subprodutos gerados.
A fábrica de farinha de peixe Kenya foi adquirida pelo grupo Nauterra, multinacional do setor alimentício que também controla marcas conhecidas no mercado.
A unidade, que antes era operada pelo Grupo Patense, passou ao novo comando dentro do processo de recuperação judicial da antiga controladora. Parte do pagamento será feita por meio da compensação de dívidas entre as empresas.
O histórico da planta industrial, no entanto, chama atenção. Segundo o Instituto do Meio Ambiente (IMA), o local acumula uma série de denúncias e autuações ao longo dos anos, principalmente relacionadas ao forte odor que atingia moradores das redondezas. A média era de 15 a 20 reclamações anuais.
Além disso, a unidade já foi penalizada por poluição atmosférica, com registros formais de infrações ligadas à emissão de odores. As queixas também envolveram a Vigilância Sanitária do município.
Outro ponto sensível é a situação ambiental atual. A fábrica opera com a Licença Ambiental de Operação (LAO) vencida, embora já tenha solicitado a renovação junto ao Instituto Itajaí Sustentável (INIS), responsável pelo licenciamento no município.
De acordo com o órgão, a partir do pedido de renovação, o acompanhamento passa a ser feito em nível municipal, incluindo fiscalização, monitoramento e exigência de adequações necessárias para o funcionamento regular.
Apesar do histórico, o IMA informou que não houve registro de denúncias formais nas últimas semanas. O órgão destaca, no entanto, que a participação da população segue sendo essencial para direcionar ações de fiscalização.
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