Neurocientistas explicam por que você lembra de momentos ruins com mais detalhes do que dos bons
Pesquisadores revelam que o cérebro humano registra experiências negativas com mais força, criando memórias vívidas que permanecem por anos enquanto as positivas se dissipam com facilidade
Os momentos ruins ficam gravados com mais detalhes porque o cérebro trata experiências negativas como sinais de alerta. Neurocientistas explicam que, quando algo ameaçador, estressante ou emocionalmente intenso acontece, o corpo libera hormônios como cortisol e adrenalina. Esses hormônios ativam regiões responsáveis por consolidar memórias, especialmente a amígdala e o hipocampo.
Esse processo funciona como um mecanismo de sobrevivência: registrar o que deu errado ajuda a evitar que o mesmo aconteça no futuro. Por isso, o cérebro dedica mais energia para guardar eventos negativos do que positivos.
Como a emoção influencia a intensidade da memória
As emoções que acompanham os momentos ruins funcionam como um amplificador. Quando a experiência envolve medo, vergonha, frustração ou tristeza, o sistema nervoso interpreta a situação como prioridade. A amígdala envia sinais para que o hipocampo armazene cada detalhe: o ambiente, a expressão das pessoas, o tom de voz, a sensação corporal.
Enquanto isso, memórias positivas passam por processos mais brandos. O cérebro entende que elas não representam perigo, então não há necessidade de registrá-las com tanta força.
O fenômeno cerebral que faz eventos negativos voltarem do nada
Outro ponto importante está no chamado “viés da negatividade”, um padrão neurológico que faz o cérebro prestar mais atenção ao que representa risco. Isso acontece mesmo quando a situação já passou. Por causa desse viés, os momentos ruins retornam com facilidade, às vezes acionados por cheiros, sons, palavras ou locais que lembram a experiência.
Esse retorno ocorre porque o cérebro mantém essas conexões sempre disponíveis, como forma de proteção. A intenção é antecipar ameaças, mas o efeito colateral é o excesso de lembranças desagradáveis.
Por que momentos bons desaparecem mais rápido da memória
Situações positivas despertam bem-estar, mas não ativam o sistema de alerta. Sem esse estado de atenção extrema, o cérebro registra apenas o essencial e deixa de guardar detalhes. O prazer e a alegria são absorvidos, porém não produzem as mesmas descargas hormonais que reforçam a memorização.
Por isso, festas, viagens e elogios tendem a se tornar lembranças suaves, enquanto falhas, discussões e frustrações permanecem nítidas.
Neurocientistas mostram que é possível treinar o cérebro para equilibrar esse processo. O primeiro passo é prolongar a atenção nos momentos bons. Isso pode ser feito observando detalhes, descrevendo a experiência mentalmente ou registrando o que aconteceu.
Outra estratégia é praticar gratidão diária, que ajuda o cérebro a reforçar circuitos ligados às emoções positivas. Além disso, técnicas de respiração e mindfulness reduzem a força dos momento ruins, evitando que ocupem espaço maior do que deveriam.
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