Neurocientistas explicam por que você lembra de momentos ruins com mais detalhes do que dos bons

Pesquisadores revelam que o cérebro humano registra experiências negativas com mais força, criando memórias vívidas que permanecem por anos enquanto as positivas se dissipam com facilidade

Magno Oliver Magno Oliver -
lembrança de momentos ruins
Lembrança de momentos ruins (Imagem: Reprodução/ IA)

Os momentos ruins ficam gravados com mais detalhes porque o cérebro trata experiências negativas como sinais de alerta. Neurocientistas explicam que, quando algo ameaçador, estressante ou emocionalmente intenso acontece, o corpo libera hormônios como cortisol e adrenalina. Esses hormônios ativam regiões responsáveis por consolidar memórias, especialmente a amígdala e o hipocampo.

Esse processo funciona como um mecanismo de sobrevivência: registrar o que deu errado ajuda a evitar que o mesmo aconteça no futuro. Por isso, o cérebro dedica mais energia para guardar eventos negativos do que positivos.

Como a emoção influencia a intensidade da memória

As emoções que acompanham os momentos ruins funcionam como um amplificador. Quando a experiência envolve medo, vergonha, frustração ou tristeza, o sistema nervoso interpreta a situação como prioridade. A amígdala envia sinais para que o hipocampo armazene cada detalhe: o ambiente, a expressão das pessoas, o tom de voz, a sensação corporal.

Enquanto isso, memórias positivas passam por processos mais brandos. O cérebro entende que elas não representam perigo, então não há necessidade de registrá-las com tanta força.

O fenômeno cerebral que faz eventos negativos voltarem do nada

Outro ponto importante está no chamado “viés da negatividade”, um padrão neurológico que faz o cérebro prestar mais atenção ao que representa risco. Isso acontece mesmo quando a situação já passou. Por causa desse viés, os momentos ruins retornam com facilidade, às vezes acionados por cheiros, sons, palavras ou locais que lembram a experiência.

Esse retorno ocorre porque o cérebro mantém essas conexões sempre disponíveis, como forma de proteção. A intenção é antecipar ameaças, mas o efeito colateral é o excesso de lembranças desagradáveis.

Por que momentos bons desaparecem mais rápido da memória

Situações positivas despertam bem-estar, mas não ativam o sistema de alerta. Sem esse estado de atenção extrema, o cérebro registra apenas o essencial e deixa de guardar detalhes. O prazer e a alegria são absorvidos, porém não produzem as mesmas descargas hormonais que reforçam a memorização.

Por isso, festas, viagens e elogios tendem a se tornar lembranças suaves, enquanto falhas, discussões e frustrações permanecem nítidas.

Neurocientistas mostram que é possível treinar o cérebro para equilibrar esse processo. O primeiro passo é prolongar a atenção nos momentos bons. Isso pode ser feito observando detalhes, descrevendo a experiência mentalmente ou registrando o que aconteceu.

Outra estratégia é praticar gratidão diária, que ajuda o cérebro a reforçar circuitos ligados às emoções positivas. Além disso, técnicas de respiração e mindfulness reduzem a força dos momento ruins, evitando que ocupem espaço maior do que deveriam.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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