Espécie que se reproduz sozinha, tolera frio extremo e vira praga nos rios preocupa ecologistas
Lagostim-marmorizado desafia a biologia tradicional, se espalha rapidamente por ambientes aquáticos e acende alerta ambiental

Um animal pequeno, discreto e pouco conhecido fora dos círculos científicos tem provocado um dos alertas ambientais mais curiosos dos últimos anos. O lagostim-marmorizado é capaz de algo raro no mundo animal: ele se reproduz sozinho, sem machos, e cria populações inteiras formadas por clones.
Na prática, isso significa que um único indivíduo pode dar origem a milhares em pouco tempo. Cada fêmea gera descendentes geneticamente idênticos, o que transforma a espécie em uma verdadeira máquina de ocupação de rios, lagos e áreas alagadas.
Essa característica já seria suficiente para chamar atenção, mas o problema vai além. O lagostim-marmorizado também demonstra uma resistência incomum ao ambiente. Ele suporta frio intenso, sobrevive em águas com pouco oxigênio, resiste à poluição e consegue se enterrar no sedimento quando enfrenta períodos de seca.
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A combinação entre reprodução acelerada e alta tolerância ambiental fez com que a espécie deixasse de ser apenas uma curiosidade de aquários para se tornar um problema real na natureza. Registros apontam que o animal já se espalhou por diferentes regiões da Europa e também por países da África, colonizando sistemas hídricos inteiros em pouco tempo.
Ecologistas alertam que o impacto não se limita à presença física do crustáceo. O lagostim-marmorizado compete diretamente com espécies nativas por alimento e espaço, consome ovos de peixes, pequenos invertebrados e plantas aquáticas, além de alterar o equilíbrio das cadeias alimentares locais.
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de transmissão de doenças que afetam outros crustáceos, o que pode agravar ainda mais a perda de biodiversidade em regiões já sensíveis.
O controle da espécie é considerado um desafio. Como todos os indivíduos são férteis e geneticamente iguais, métodos tradicionais de contenção se mostram pouco eficazes. Em alguns países, autoridades ambientais já proibiram a venda e o transporte do animal, tentando evitar novas introduções na natureza.
Para pesquisadores, o avanço do lagostim-marmorizado serve como um alerta sobre os riscos do comércio de espécies exóticas e do descarte inadequado de animais. Em um cenário em que basta um único exemplar para transformar um rio inteiro, o problema deixa de ser local e passa a ser global.
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