Fim da escala 6×1: as empresas que devem ser as primeiras a aderir à nova jornada no Brasil
Discussão sobre a redução da jornada avança no país e tende a impactar primeiro setores com maior flexibilidade operacional, menor dependência de trabalho contínuo e alta rotatividade de funcionários

O debate sobre o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e folga apenas um, deixou de ser apenas uma pauta sindical e passou a ganhar espaço no Congresso Nacional, em empresas e no próprio mercado de trabalho.
A proposta busca ampliar os períodos de descanso, melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e reduzir o desgaste físico e mental provocado por jornadas prolongadas.
Caso a mudança avance na legislação, a transição não deve ocorrer de forma homogênea. Especialistas em relações trabalhistas avaliam que alguns segmentos estão mais preparados para adotar novas escalas, seja por já utilizarem modelos alternativos, seja por possuírem maior margem para reorganizar equipes sem comprometer a operação.
Entre os setores mais propensos a aderir primeiro está o comércio varejista. Grandes redes de lojas, farmácias e supermercados já enfrentam dificuldades para reter funcionários, especialmente em funções operacionais.
A adoção de jornadas mais equilibradas, como escalas 5×2 ou semanas com duas folgas consecutivas, surge como estratégia para reduzir a rotatividade e tornar as vagas mais atrativas. Além disso, muitas dessas empresas já trabalham com banco de horas, turnos alternados e contratos flexíveis, o que facilita ajustes.
O setor de serviços também aparece entre os mais favoráveis à mudança. Atividades como salões de beleza, academias, clínicas, escritórios, empresas de call center e serviços administrativos possuem maior previsibilidade de demanda e conseguem organizar turnos sem a necessidade de funcionamento contínuo.
Em muitos casos, a redução da jornada pode ser compensada com ganhos de produtividade e melhora no atendimento ao público.
Outro segmento com potencial de adaptação é o de bares, restaurantes e hotelaria, apesar dos desafios. Embora historicamente dependam de escalas extensas, muitos estabelecimentos já operam com equipes divididas por turnos e dias específicos de maior movimento.
A reorganização da jornada, nesse caso, tende a ocorrer de forma gradual, com reforço de equipes em horários de pico e ampliação do número de funcionários, especialmente em grandes redes.
Na indústria, a implementação tende a ser mais viável em empresas que já utilizam turnos rotativos bem definidos. Fábricas com sistemas de revezamento entre manhã, tarde e noite conseguem redistribuir a carga horária de forma mais equilibrada, desde que haja planejamento e negociação com sindicatos.
O impacto financeiro, no entanto, pode exigir ajustes no número de empregados ou investimentos em automação.
O setor de tecnologia e serviços digitais também aparece como um dos mais preparados. Empresas de tecnologia, startups e companhias que já adotam trabalho remoto ou híbrido costumam operar com metas e entregas, e não apenas com controle rígido de horas.
Para essas organizações, a redução da jornada semanal tende a ser uma extensão de práticas já consolidadas, com foco em produtividade e bem-estar.
Por outro lado, existem segmentos que devem enfrentar mais resistência ou dificuldade de adaptação. Saúde, segurança, transporte público e logística, por exemplo, dependem de funcionamento ininterrupto e exigem cobertura 24 horas.
Nesses casos, o fim da escala 6×1 pode implicar aumento significativo de custos, necessidade de novas contratações e negociações complexas com categorias profissionais.
Economistas e especialistas em direito do trabalho avaliam que, se aprovada, a mudança deve ocorrer de forma escalonada, respeitando acordos coletivos e especificidades de cada setor.
Empresas que se anteciparem à discussão tendem a ganhar vantagem competitiva na atração de talentos, enquanto aquelas que resistirem podem enfrentar maior dificuldade para preencher vagas.
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