Justiça condena hospital a pagar R$ 200 mil para enfermeira que trabalhava em situação análoga a escravidão

Sentença reconheceu jornada exaustiva, condições degradantes de trabalho e violação de direitos fundamentais da profissional de enfermagem

Layne Brito Layne Brito -
Justiça condena hospital a pagar R$ 200 mil para enfermeira que trabalhava em situação análoga a escravidão
(Foto: Reprodução)

A Justiça do Trabalho condenou um hospital de Belo Horizonte (MG) a pagar R$ 200 mil por danos morais a uma enfermeira submetida a condições de trabalho análogas à escravidão.

A decisão reconheceu que a profissional enfrentava jornadas excessivas, ausência de descanso adequado e pressão constante no exercício da função em um ambulatório de transplantes.

Conforme os autos, a enfermeira acumulava expediente regular durante o dia com sobreaviso noturno ininterrupto, sem compensação de descanso.

Em determinados períodos, a carga de trabalho alcançava 119 horas horas semanais, especialmente durante escalas de captação de órgãos e em momentos de equipe reduzida, o que gerava impactos diretos na saúde física, emocional e na vida social da trabalhadora.

Ao analisar o caso, a juíza Karla Santuchi, da 4ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte, concluiu que as provas apresentadas, como laudo pericial e depoimentos, demonstraram um cenário de condições degradantes e reiteradas violações de direitos humanos.

Segundo a magistrada, a caracterização de trabalho análogo ao de escravo , prevista no artigo 149 do Código Penal, não exige restrição direta da liberdade, sendo suficiente a submissão a jornadas exaustivas e privação sistemática de descanso.

A decisão foi analisada pela 11ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), que manteve a indenização de R$ 200 mil, reconhecendo a gravidade das irregularidades.

Os magistrados promoveram apenas ajustes pontuais na sentença, sem alterar o entendimento de que a profissional foi submetida a condições incompatíveis com a dignidade humana.

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Layne Brito

Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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