Fim da escala 6×1: supermercado adota nova jornada e funcionários comemoram
Projeto-piloto do Supernosso começa em março, mantém 44h semanais e redistribui a jornada em 5 dias, com dois de descanso

A rotina de seis dias consecutivos de trabalho pode estar com os dias contados em parte do varejo. O Grupo Supernosso anunciou que adotará a escala 5×2 para colaboradores das áreas operacionais, em projeto-piloto que começa em março, em três unidades da rede.
A mudança ocorre em meio ao avanço do debate nacional sobre o fim da escala 6×1 no Congresso. Enquanto a proposta ainda tramita em Brasília, empresas começam a testar alternativas por conta própria.
Como vai funcionar a nova escala
Segundo o Supernosso, o novo modelo não prevê redução da carga horária semanal. Os colaboradores passarão a cumprir jornada diária de 8h48, em vez de 7h20, mantendo as 44 horas semanais previstas na legislação trabalhista.
A escala prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso, consecutivos ou não, conforme a organização interna das unidades. De acordo com a empresa, o objetivo é reduzir a “carga emocional e física” de quem hoje precisa se deslocar ao trabalho seis dias por semana.
A expectativa do grupo é ampliar o modelo para outras lojas ainda este ano, caso os resultados do piloto sejam positivos.
Debate avança no Senado
No dia 10 de dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. O texto foi aprovado de forma simbólica e ainda precisa passar pelo plenário do Senado.
Se avançar, seguirá para análise da Câmara dos Deputados e, posteriormente, para sanção presidencial. A proposta também abre discussão sobre eventual redução da jornada semanal.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que qualquer mudança não deve impactar negativamente o salário dos trabalhadores.

(Foto: Divulgação/Supernosso)
Mudança divide opiniões
A adoção da escala 5×2 tem gerado debates entre empresários e especialistas. Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) aponta que alterações mais amplas na jornada podem elevar custos, reduzir produtividade e provocar impacto no emprego formal.
Por outro lado, há empresários que defendem ajustes no modelo atual. O dono do Supermercados BH, Pedro Lourenço, já declarou ser contrário ao trabalho aos domingos, embora reconheça que parte dos funcionários prefira atuar nesse dia devido à carga horária reduzida e à folga compensatória.
Enquanto o Congresso discute mudanças estruturais, iniciativas como a do Supernosso sinalizam que o setor privado também busca alternativas para equilibrar produtividade, bem-estar e competitividade.
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