Grafiteiro responde críticas de Luciano Hang sobre desenho em viaduto: “nossa arte sempre vai ser criminalizada””

Smith alega que chegou a ser ameaçado após o vídeo do empresário, tendo as redes sociais invadidas pelos chamados "haters"

Ícaro Gonçalves -
Smith responde Luciano Hang grafiteiro
Smith alega que chegou a ser ameaçado após o vídeo do empresário (Imagens: Captura de tela/Instagram)

O caso envolvendo o grafite feito no viaduto da Avenida Goiás Norte, em frente à loja da Havan recém-inaugurada em Goiânia, trouxe de volta uma antiga discussão: como separar grafite e pichação?

Em entrevista ao Portal 6, o grafiteiro e tatuador goiano Smith comentou sobre o tema e respondeu às críticas feitas por Luciano Hang ao desenho que fez.

Segundo o artista, ele chegou a ser ameaçado por apoiadores do empresário após a publicação do vídeo, tendo as redes sociais invadidas pelos chamados “haters”.

“Tudo isso não me surpreendeu, porque ele é um cara conservador. […] Ele chegou a responder meu comentário, dizendo que eu merecia levar ‘chibatadas’. Mas eu não tenho nada contra ele, estou aqui para defender o meu papel como artista e toda nossa classe”, comentou.

Sobre toda a polêmica, Smith relembra que existem diferença claras entre a pichação e o grafite.

“A pichação é sempre feita sem autorização e carrega siglas de grupos e dos próprios pichadores. Já o grafite é voltado para as artes plásticas, com muitas cores e desenhos, com estilos diferentes”, disse.

Como cita Smith, peças produzidas por artistas brasileiros com técnicas do grafite já chegaram a ser expostas em eventos internacionais, como no caso da Bienal Internacional Graffiti Fine Art.

Outros exemplos notórios em Goiás, citados por Smith, são as peças do artista Wes Gama e que estampam fachadas de prédios no setor Central de Goiânia.

“A nossa arte sempre vai ser criminalizada. Mesmo que eu pague por isso, eu não estou preocupado. O grafite, apesar de estar em galerias e até em camisetas de times, ele é marginalizado. Mas nós vamos resistir”, ressalta.

Caso gerou autuação

Em Goiânia, a Lei municipal Nº 10.806, de 2022 reconhece “as práticas do grafite e do muralismo como manifestações artísticas de valor cultural […] com os objetivos de valorizar o patrimônio público e de embelezar a paisagem urbana de Goiânia”.

O regulamento tem justamente o objetivo de inibir a prática de pichações e a poluição visual no ambiente urbano, mas exige aprovação prévia da Prefeitura para a execução das artes.

Sobre o caso envolvendo os desenhos no viaduto próximo à Havan, Smith precisou comparecer voluntariamente a uma delegacia da capital para prestar esclarecimentos, uma vez que o desenho foi feito sem autorização prévia.

“Foi bem tranquilo, me trataram com muito respeito. Eu fui autuado e agora vou responder o processo. Não estou surpreso, pois já sabia que isso poderia responder”, finalizou.

Procurada pela Portal 6, a assessoria ligada ao empresário divulgou uma nota oficial na qual afirma que o viaduto havia sido pintado recentemente antes da inauguração da loja e que o ato teria sido registrado em vídeo pelo próprio autor.

No posicionamento, Hang também classificou a ação como vandalismo e afirmou que não aceita a depredação de espaços públicos.

Leia a nota na íntegra:

Recentemente, o empresário Luciano Hang pintou, ao lado do prefeito de Goiânia, o viaduto Iris Rezende Machado, no dia 30 de janeiro, antes da inauguração da nova megaloja da varejista. Pouco depois, o pichador Smith Art Tatoo vandalizou o local, filmou o ato e, de forma irresponsável, levou, aparentemente, um menor de idade para participar do crime.

Dias após a inauguração, fomos novamente surpreendidos com outro ato de vandalismo no mesmo local. O indivíduo voltou a pichar o viaduto, desta vez acompanhado, aparentemente, de um menor de idade, e registrou toda a ação em vídeo.

Diante desse episódio, venho a público manifestar minha total indignação.

O que aconteceu no elevado em frente à nossa megaloja de Goiânia é vandalismo. Quando uma cidade está limpa, sem essa poluição visual, as pessoas vivem melhor. Por isso, fico muito triste ao ver alguém depredar um espaço público. Não existe progresso sem ordem.

Se ele realmente se considera um artista, em vez de pichar patrimônio público, que coloque sua obra em uma tela e tente vendê-la para ver se consegue viver da própria arte. Para mim, trata-se de um frustrado e de um vândalo. E o pior: envolve, aparentemente, um menor de idade nesse tipo de atitude e dá um péssimo exemplo.

Quem quer ordem e progresso não pode aceitar esse tipo de comportamento.

Por isso, faço uma proposta a esse indivíduo: pago uma passagem para Singapura para ele pichar ou fazer sua “arte” nos muros de lá. Singapura é conhecida por ter regras muito rígidas e punições severas para quem comete esse tipo de infração em espaços públicos. Arranjo até um muro para ele fazer a pichação e quero ver se teria coragem de repetir esse comportamento por lá.

A Havan continuará trabalhando por cidades mais limpas, organizadas e prósperas. Investimos em Goiânia porque acreditamos no potencial da cidade e no seu povo trabalhador. Não aceitaremos que atos de vandalismo prejudiquem aquilo que foi feito para melhorar a cidade.

 

 

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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