Investigada por corrupção, Excel Construtora acumula R$ 177 milhões em contratos com a Agehab
Operação apura suposto esquema de desvio de verbas públicas em contratações pela Agehab

Investigada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por uma suposta participação em esquema de corrupção, a empresa Excel Construtora – que tem como sócio majoritário o empresário anapolino André Luiz Hajjar – possui mais de R$ 177 milhões em contratos firmados com a Agência Goiana de Habitação (Agehab).
Os dados, apurados pelo Portal 6, constam no Portal da Transparência do Estado de Goiás e se referem ao período entre 2021 e 2026 — recorte disponibilizado pela plataforma.
Conforme o levantamento, até o dia 18 de março deste ano, foram contabilizados R$ 177.741.179,36 em valores destinados a despesas (saldo empenhado) relacionadas à Excel Construtora.
Desse montante, R$ 152.153.152,15 foram efetivamente liquidados — ou seja, os serviços foram entregues e reconhecidos.
Dentro desse valor devido à incorporadora, já foram pagos R$ 146.985.749,02. Com isso, ainda restam R$ 5.167.403,13 a serem repassados à empresa.
Para onde foi esse dinheiro?
As despesas se destinaram, em sua maioria, a obras de casas populares, executadas em diversos municípios goianos.
Entre os valores mais expressivos, destacam-se duas obras de aproximadamente R$ 6,1 milhões cada.
Uma delas corresponde à construção de 50 casas populares em Jesúpolis, município a cerca de 110 km de Goiânia. A outra foi realizada em Itaguari (104 km da capital). Ambas as despesas foram registradas em abril de 2024.
Investigações
Ainda não foi divulgado se os contratos dessas obras estão entre os alvos da investigação do MPGO.
No entanto, já se sabe que a Operação Confrades, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (GAEPP), apura um suposto esquema de desvio de verbas públicas em contratações de construtoras pela Agehab, com uso de recursos do Fundo Protege Goiás.
A apuração identificou indícios de reajustes contratuais ilícitos e flexibilização de normas previstas em editais para favorecer interesses privados.
Segundo o GAEPP o grupo também promovia pagamentos indevidos e exercia interferência direta em setores técnicos da Agehab para beneficiar empresários e construtoras específicas.
Ao todo, o MPGO cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Goiânia e Anápolis, incluindo diligências na sede da agência e em endereços ligados a empresários.
Vale destacar que um dos alvos dessa operação foi o vice-presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Wendel Garcia da Silva.
Em nota, a Agehab afirmou que a operação não tem relação com a alta gestão da agência e reforçou que vem colaborando com as autoridades.
O Portal 6 também solicitou nota à Excel Construtora, mas não houve retorno até o momento. O espaço segue aberto para posicionamento.
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