O trem mais alto do mundo tem oxigênio individual para cada passageiro, chega a 5 mil metros de altitude e possui quase 2 mil km de extensão

A ferrovia Qinghai–Tibete cruza o Planalto Tibetano, alcança 5.072 metros de altitude e usa oxigênio suplementar para reduzir os efeitos da altitude nos passageiros

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
O trem mais alto do mundo tem oxigênio individual para cada passageiro, chega a 5 mil metros de altitude e possui quase 2 mil km de extensão
(Foto: Reprodução)

O trem mais alto do mundo liga Xining, na província chinesa de Qinghai, a Lhasa, capital do Tibete, em uma das rotas ferroviárias mais impressionantes do planeta.

A linha Qinghai–Tibete tem cerca de 1.956 quilômetros de extensão, foi inaugurada em 2006 e alcança seu ponto mais alto no Passo Tanggula, a 5.072 metros acima do nível do mar.

Além da altitude extrema, o trajeto chama atenção por um detalhe incomum: os vagões usam sistema de oxigênio suplementar e ainda oferecem saídas individuais de oxigênio para os passageiros que sentem mais os efeitos da viagem.

Segundo a criadora de conteúdo Marina Guaragna, que compartilhou curiosidades sobre a rota em seu Instagram @marinaguaragna, esse recurso ajuda a tornar a travessia mais segura e confortável.

Por que o trem precisa de oxigênio individual

Em trechos muito elevados do Planalto Tibetano, o ar se torna rarefeito e dificulta a respiração. Por isso, a operação ferroviária passou a usar um sistema que injeta oxigênio no ambiente interno dos vagões e, ao mesmo tempo, disponibiliza pontos individuais próximos aos assentos.

Depois de Golmud, quando a ferrovia entra nas áreas mais altas da viagem, o sistema de oxigênio passa a funcionar continuamente. Além disso, passageiros podem recorrer ao tubo individual quando sentem falta de ar, tontura ou dor de cabeça, sintomas comuns em grandes altitudes.

Passo Tanggula marca o ponto mais alto da linha

O trecho mais impressionante da ferrovia fica no Passo Tanggula, que atinge 5.072 metros. Além disso, a estação ferroviária de Tanggula figura entre as mais altas do mundo, com cerca de 5.068 metros de altitude.

Nessa faixa de elevação, o corpo humano já sente claramente os efeitos da altitude. Por isso, mesmo passageiros em repouso podem apresentar desconforto durante a travessia. Justamente por isso, o sistema de oxigênio se tornou uma das marcas mais conhecidas do trem.

Ferrovia atravessa permafrost, desertos e áreas isoladas

Além da altitude, a linha impressiona pela engenharia. Boa parte do trajeto passa por regiões remotas do Planalto Tibetano, incluindo áreas de permafrost, desertos de altitude, zonas úmidas e territórios pouco povoados. Mais de 960 quilômetros da linha ficam acima de 4 mil metros.

Por isso, especialistas e registros históricos apontam a Qinghai–Tibete como uma das obras ferroviárias mais complexas já construídas em áreas de alta montanha. Além disso, o projeto precisou lidar com frio extremo, solo congelado e baixa concentração de oxigênio durante a construção.

Trem virou símbolo de engenharia em grandes altitudes

Desde a inauguração, em julho de 2006, a ferrovia ganhou fama internacional por combinar altitude extrema, longa extensão e soluções técnicas incomuns para passageiros e infraestrutura. Os vagões de alta altitude receberam sistemas enriquecidos com oxigênio justamente para lidar com os riscos da viagem em regiões rarefeitas.

Assim, o trajeto entre Xining e Lhasa se tornou não apenas uma ligação ferroviária, mas também uma experiência turística e um marco de engenharia em uma das áreas habitadas mais elevadas da Terra.

 

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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