Cidade mais pobre do Brasil não tem supermercado, e mais de 90% da população depende do Bolsa Família
A realidade de um pequeno município brasileiro expõe desafios profundos ligados à renda, infraestrutura e oportunidades de trabalho

Em Itaubal, uma cidade do interior do Amapá que possui cerca de seis mil habitantes, vive-se uma situação delicada.
O município chama a atenção por sua condição, já que, segundo pesquisas, pode ser o local brasileiro com maior número de moradores utilizadores do Bolsa Família.
Além disso, por estar localizado próximo a Macapá, o município apresenta uma economia baseada, principalmente, na agricultura de subsistência.
Esse tipo de atividade consiste no cultivo da terra com o objetivo de alimentar o próprio agricultor e sua família. Paralelamente, a pecuária também compõe a base econômica local.
Ainda assim, apesar das limitações estruturais, Itaubal se destaca pela revitalização da orla e pelo forte complemento de repasses federais, que ajudam a sustentar parte da dinâmica econômica da cidade.
Alta dependência de programas sociais
Nesse contexto, os dados sociais chamam ainda mais atenção. Segundo pesquisas, 93% da população da cidade depende do Bolsa Família, o que evidencia um cenário de elevada vulnerabilidade social.
Dessa forma, o programa de transferência de renda se torna essencial não apenas para as famílias, mas também para o funcionamento da economia local como um todo.
Além disso, outros aspectos reforçam esse quadro: menos de 30 carros circulam pela cidade, o que indica um baixo poder aquisitivo da população.
Ao mesmo tempo, não há supermercados na região, existindo apenas pequenas vendinhas locais, onde os moradores compram estritamente o necessário para o consumo diário.
Baixa formalização do trabalho
Outro fator que agrava a situação econômica do município é a baixa formalização do trabalho. De acordo com a mesma pesquisa, apenas 28 habitantes, entre os seis mil moradores, possuem carteira assinada.
Isso significa, portanto, a existência de aproximadamente um emprego formal para cada 215 pessoas, um número que evidencia a escassez de oportunidades no mercado de trabalho.
Consequentemente, a receita do município também se mantém limitada. Esse cenário é reflexo direto da baixa geração de renda local, com valores estimados em cerca de 900 mil por ano, o que impacta significativamente a capacidade de desenvolvimento econômico da região.
Recursos públicos e estrutura administrativa
Por outro lado, mesmo diante da baixa arrecadação própria, o município recebe apoio significativo do poder público. Itaubal recebeu cerca de 54 milhões de reais em repasses governamentais destinados ao auxílio da cidade.
Além disso, a prefeitura conta com mais de 600 servidores ativos, o que demonstra que a administração pública exerce um papel central na geração de empregos e na movimentação da economia local.
Dessa maneira, o setor público se consolida como uma das principais fontes de renda para os moradores.
Desafios e reflexos da desigualdade
Diante de todos esses fatores, o cenário de Itaubal revela um retrato expressivo das desigualdades regionais no Brasil.
Nesse sentido, a forte dependência de programas sociais evidencia não apenas a vulnerabilidade da população, mas também a ausência de alternativas econômicas sustentáveis.
Por fim, a limitação de infraestrutura comercial e a escassez de empregos formais contribuem para a manutenção de um ciclo econômico restrito, no qual o desenvolvimento local enfrenta desafios estruturais persistentes.
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