No Japão, ser pobre é viver em “comunidades” que superam a qualidade e infraestrutura de muitas cidades pelo mundo

Região pobre de Osaka surpreende pela infraestrutura e expõe contraste entre vulnerabilidade social e padrão urbano do Japão

Gabriel Dias Gabriel Dias -
No Japão, ser pobre é viver em “comunidades” que superam a qualidade e infraestrutura de muitas cidades pelo mundo
(Imagem: Captura de tela/YouTube/Lucas Bigodinho)

Embora o Japão seja frequentemente associado a altos padrões de vida, há regiões que revelam um lado menos conhecido do país.

Em Osaka, um bairro historicamente ligado à pobreza urbana chama a atenção por reunir desafios sociais — mas também por apresentar uma estrutura que contrasta com a realidade de áreas vulneráveis em outras partes do mundo.

Conhecida popularmente como Kamagasaki — ou Airin-chiku, seu nome oficial —, a região está localizada no distrito de Nishinari e surgiu no pós-Segunda Guerra Mundial como um polo de trabalhadores diaristas.

Durante décadas, o local concentrou milhares de homens que atuavam na construção civil e em serviços pesados, especialmente durante o período de reconstrução e crescimento econômico do Japão.

Com o passar dos anos, mudanças econômicas e o avanço tecnológico reduziram a demanda por esse tipo de mão de obra.

A partir dos anos 1990, o bairro passou por uma transformação significativa, com aumento do desemprego, envelhecimento da população e crescimento do número de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Apesar de ser frequentemente comparado a uma “favela”, o cenário urbano de Kamagasaki apresenta diferenças marcantes.

A região conta com ruas pavimentadas, iluminação pública eficiente, acesso a transporte e serviços básicos — elementos que, em muitos países, ainda são escassos em áreas pobres.

A maior parte dos moradores vive em pequenas unidades conhecidas como “doyas”, quartos compactos e de baixo custo que surgiram para atender trabalhadores solteiros. Hoje, esses espaços são ocupados, em grande parte, por idosos que dependem de assistência pública e redes de apoio comunitário.

Embora existam problemas sociais, como isolamento e alcoolismo entre parte da população, a região também se caracteriza por baixos índices de violência física em comparação com áreas vulneráveis de outros países, especialmente durante o dia.

Nos últimos anos, Kamagasaki tem passado por mudanças impulsionadas por projetos urbanos e pelo crescimento do turismo em Osaka, o que tem contribuído para a valorização da área —, mas também levanta preocupações sobre o aumento do custo de vida e o deslocamento de moradores tradicionais.


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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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