Césio-137: acidente radiológico atingiu também Anápolis e deixou cinco áreas contaminadas
Episódio ultrapassou limites urbanos de Goiânia e deixou marcas na região

O lançamento da série “Emergência Radioativa”, da Netflix, sobre o acidente com o césio-137 trouxe novamente à tona uma das maiores tragédias radiológicas da história — e também reacendeu o debate sobre os impactos do caso em cidades além de Goiânia, como Anápolis.
No ano de 1987, uma cápsula de radioterapia abandonada foi retirada de um prédio onde funcionava um antigo instituto na capital.
Dentro dela havia material altamente radioativo.
A substância chamava atenção pela coloração azulada e, por conta da desinformação, acabou sendo manuseada e compartilhada entre diversas pessoas, o que ampliou rapidamente a contaminação.
Apesar de Goiânia ter sido o principal foco, os efeitos ultrapassaram os limites urbanos da capital.
Ao todo, 36 residências na capital e outras 10 em municípios vizinhos foram contaminadas. Cinco dessas casas estavam em Anápolis, como recordado em matéria feita pela Rádio São Francisco.
Os registros no município estão ligados, principalmente, ao contato indireto com pessoas e objetos que passaram por áreas afetadas em Goiânia, o que mostra como a circulação do material contribuiu para espalhar a contaminação.
Relatos de vítimas ajudam a dimensionar esse alcance. Odesson Alves Ferreira, que foi atingido pelo acidente e hoje preside a Associação das Vítimas do Césio, afirma que dezenas de pessoas da própria família tiveram contato com o material.
“Toda a minha família foi irradiada. Pessoas de outras cidades, como de Anápolis, tiveram contato com a gente”, afirmou em entrevista que relembrava o caso 25 anos depois do acidente.
A relação de Anápolis com o episódio não se limita aos registros de contaminação.
Em Abadia de Goiás, município vizinho, foi construída uma estrutura específica para armazenar os rejeitos radioativos gerados pela tragédia, além de concentrar o monitoramento dos impactos ao longo dos anos.
Considerado o maior acidente radiológico do mundo fora de usinas nucleares, o caso mobilizou o monitoramento de mais de 100 mil pessoas e deixou marcas profundas na história do país.
Quase quatro décadas depois, o tema volta à tona, reforçando alertas sobre segurança, informação e os riscos do manuseio inadequado de materiais radioativos.
*Com informações da Rádio São Francisco
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