Márcio Corrêa projeta Capag B para renegociar dívidas da gestão anterior e aliviar as contas de Anápolis
Expectativa é que nova avaliação do Tesouro Nacional facilite o acesso a crédito com juros menores e prazos mais extensos

O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), projetou, durante audiência pública de prestação de contas promovida nesta sexta-feira (10), a melhora da Capacidade de Pagamento (Capag) do município para o nível B.
A expectativa é que a nova avaliação do Tesouro Nacional, prevista para o fim de abril, permita ao município acessar crédito com juros menores e prazos mais longos, abrindo caminho para reestruturar contratos firmados na administração passada.
Hoje, segundo a própria gestão, o alto custo da dívida limita o fluxo financeiro da Prefeitura e dificulta o equilíbrio entre receitas e despesas.
Durante a apresentação, Márcio afirmou que, diante desse cenário, a prioridade tem sido manter o pagamento da folha salarial em dia.
Segundo ele, “só se paga outra coisa quando a folha é garantida”, indicando que outras obrigações dependem da disponibilidade de caixa.
Como justificativa para a melhora na avaliação, a administração confirma ter “feito o dever de casa” na gestão orçamentária. O município saiu de um déficit primário de R$ 270 milhões no 3º quadrimestre de 2024 para atingir um superávit primário de R$ 194 milhões.
Para o prefeito Márcio Corrêa, na prática, o reconhecimento do Tesouro Nacional trará mais tranquilidade e alívio aos cofres públicos, já que dará margem para renegociar o empréstimo bilionário firmado na gestão anterior.
“Nós poderíamos ter R$ 100 milhões a menos de juros para pagar. Com R$ 100 milhões a menos, por exemplo, eu poderia recapear boa parte das ruas da cidade”, exemplifica.
Ajuste fiscal mira reequilíbrio das contas
Dados apresentados pelo secretário municipal de Economia, Marcelo Olímpio Carneiro Tavares, mostram que a receita total de Anápolis caiu 7,49% em 2025, impactada principalmente pela redução de repasses como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Para compensar, a Prefeitura de Anápolis ampliou a arrecadação própria, com crescimento em impostos como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o Imposto sobre Serviços (ISS) e o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).
A arrecadação com o IPTU, por exemplo, saltou de R$ 154 milhões para R$ 174 milhões, enquanto o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) saiu de R$ 111,7 milhões para R$ 123,8 milhões.
Ao mesmo tempo, Marcelo Olímpio explicou que a gestão adotou medidas de contenção de despesas, com redução de 20,4% no número de cargos comissionados e cortes em gastos com a máquina pública.
Mesmo com os ajustes, o peso da dívida segue elevado. O serviço mais que dobrou no período, com alta de 101,8%, o que reduz a margem de manobra do município.
Para a Secretaria Municipal da Economia, caso a nota B se confirme, a expectativa é de retomar negociações com instituições financeiras em condições mais favoráveis, reduzindo juros e ampliando prazos.
A aposta é que esse movimento permita aliviar o caixa, regularizar compromissos e, gradualmente, recuperar a capacidade de investimento da cidade.
Siga o Portal 6 no Instagram: @portal6noticias e fique por dentro das últimas notícias de Anápolis!








