Fim da jornada 6×1: supermercados começam a adotar escala 5×2 para enfrentar a escassez de mão de obra

Fim da jornada 6×1 no varejo já influencia supermercados, que começam a testar a escala 5×2 para reter funcionários e atrair novos trabalhadores

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
Fim da jornada 6×1 já influencia supermercados, que começam a adotar escala 5×2 para enfrentar a escassez de mão de obra.
(Foto: Reprodução)

Fim da jornada 6×1 já começa a influenciar o varejo antes mesmo de uma mudança definitiva na legislação. Em meio à dificuldade para contratar e manter equipes, supermercados passaram a testar a escala 5×2 como forma de enfrentar a escassez de mão de obra e tornar as vagas mais atrativas.

O movimento ganhou força em redes que decidiram reorganizar a rotina dos funcionários sem alterar a carga semanal de 44 horas prevista em lei. Assim, em vez de seis dias de trabalho com apenas uma folga, empresas passaram a redistribuir a jornada para garantir dois dias consecutivos de descanso.

Supermercados já testam nova escala

Um dos casos citados no texto é o do Grupo Savegnago, em São Paulo. A rede iniciou de forma experimental a adoção da escala 5×2 em unidades do interior do estado.

Na prática, a mudança mantém as 44 horas semanais. No entanto, a empresa redistribui esse tempo em jornadas diárias mais longas e, em troca, oferece duas folgas seguidas ao trabalhador.

Além disso, a avaliação interna aponta efeitos positivos. Segundo o texto, a nova escala melhora a disposição dos funcionários, reduz a rotatividade e ajuda a reter mão de obra em um setor com dificuldade crescente para preencher vagas operacionais.

Falta de trabalhadores pressiona o varejo

O cenário não se limita a São Paulo. A escassez de mão de obra tem pressionado empresas em diferentes regiões do país e forçado mudanças na organização do trabalho.

No Espírito Santo, por exemplo, supermercados, atacarejos, minimercados e lojas de material de construção deixarão de funcionar aos domingos a partir de março, conforme acordo firmado em convenção coletiva. A justificativa principal também envolve a dificuldade de manter equipes completas, sobretudo em jornadas que exigem trabalho contínuo aos fins de semana.

Com isso, o problema da falta de trabalhadores deixou de ser uma questão isolada e passou a influenciar decisões práticas no varejo.

Debate também avança no Congresso

Ao mesmo tempo, o fim da jornada 6×1 também entrou no debate político. Tramita no Congresso Nacional uma proposta de emenda à Constituição que prevê a redução da jornada semanal e a garantia de dois dias de descanso, sem corte salarial.

Embora a proposta ainda esteja em discussão, o avanço do tema já provoca reflexos fora de Brasília. Isso porque muitas empresas passaram a enxergar a reorganização da escala como uma necessidade real do mercado, e não apenas como pauta sindical ou legislativa.

Tendência pode se espalhar para outros setores

Especialistas avaliam que a adoção da escala 5×2 nos supermercados pode servir como termômetro para outras áreas da economia. Entre os segmentos com perfil semelhante aparecem serviços, logística, alimentação, hotelaria e indústria.

Se os resultados continuarem positivos, a tendência é de que o modelo avance para outros setores e regiões. Dessa forma, o varejo pode acabar antecipando, na prática, uma mudança que ainda segue em debate no campo legal.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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