Misocinesia: o fenômeno psicológico pouco conhecido que afeta uma em cada três pessoas no dia a dia

Estudo indica que a misocinesia, aversão a movimentos repetitivos, é mais comum do que se imaginava e pode afetar 1 em cada 3 pessoas

Gustavo de Souza -
Misocinesia: o fenômeno psicológico pouco conhecido que afeta uma em cada três pessoas no dia a dia
(Foto: Ilustração/Freepik)

Balançar a perna, bater a ponta dos dedos na mesa ou girar uma caneta entre as mãos pode parecer algo trivial. Para algumas pessoas, porém, esses movimentos repetitivos provocam irritação intensa, ansiedade e desconforto imediato. Esse fenômeno é chamado de misocinesia.

Ainda pouco conhecida, a condição descreve a aversão a ver outras pessoas fazendo movimentos repetitivos, especialmente gestos de inquietação corporal. O tema ganhou destaque após uma pesquisa da Universidade de British Columbia, no Canadá, apontar que esse incômodo é mais comum do que se pensava.

O estudo, conduzido por Sumeet Jaswal com participação do pesquisador Todd Handy, analisou mais de 4.100 pessoas. Os resultados mostraram que cerca de um terço dos participantes relatou algum grau de sensibilidade à misocinesia no cotidiano.

Os pesquisadores observaram que o problema não se limita a casos isolados. Em situações mais intensas, ele pode afetar a convivência social, o ambiente de trabalho e até contextos de estudo, gerando reações como raiva, frustração e estresse.

A misocinesia também pode aparecer associada à misofonia, condição marcada por reações negativas a sons repetitivos, como mastigação, respiração alta ou estalos de caneta. Embora sejam fenômenos diferentes, os dois podem coexistir em algumas pessoas.

A ciência ainda busca entender por que isso acontece. Uma das hipóteses levantadas envolve os chamados neurônios-espelho, ligados à forma como o cérebro reage ao observar ações de outras pessoas. Outra linha de pesquisa sugere que o problema pode estar na dificuldade de desviar a atenção do estímulo visual.

Mesmo sem respostas definitivas, os estudos já deixam uma conclusão importante: a misocinesia é real e merece mais atenção. Para quem convive com esse desconforto, a descoberta ajuda a dar nome a uma experiência silenciosa, mas mais comum do que muita gente imagina.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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