China constrói rio artificial de 2.700 km por R$ 500 bilhões para enfrentar seca e hoje garante 70% da água de Pequim
Projeto de transposição de água na China leva bilhões de m³ ao norte do país e abastece milhões, incluindo grande parte da capital Pequim

Enquanto regiões inteiras do norte da China enfrentavam escassez severa de água, um projeto de engenharia sem precedentes começou a redesenhar o mapa hídrico do país.
Conhecido como Projeto de Transposição de Água Sul-Norte, o sistema conecta bacias hidrográficas ao longo de milhares de quilômetros para garantir abastecimento em áreas densamente povoadas.
A obra, aprovada em 2002 e com construção iniciada em 2003, já se estende por cerca de 2.900 quilômetros de canais, túneis e aquedutos nas rotas Leste e Central.
Ao longo dos anos, o sistema transferiu mais de 76 bilhões de metros cúbicos de água das regiões úmidas do sul para o norte mais seco, beneficiando cerca de 185 milhões de pessoas.
Três rotas estruturam o maior sistema hídrico do mundo
O projeto foi dividido em três grandes eixos: Leste, Central e Oeste. Cada um deles desempenha um papel específico na redistribuição da água pelo território chinês.
A rota Leste utiliza parte do antigo Grande Canal e conta com 13 estações de bombeamento para impulsionar a água ao longo do trajeto.
Já a rota Central opera majoritariamente por gravidade e é responsável por abastecer diretamente a capital Pequim, fornecendo cerca de 80% da água consumida nas áreas urbanas da cidade.
A rota Oeste, ainda em planejamento, deve ampliar a capacidade do sistema, mas enfrenta desafios técnicos e ambientais mais complexos.
Investimento bilionário e impacto social
O custo total da obra já supera 500 bilhões de yuans (mais de US$ 70 bilhões, segundo diversas estimativas), tornando o projeto o mais caro do mundo na área de infraestrutura hídrica.
Para viabilizar sua construção, pelo menos 330 mil pessoas precisaram ser realocadas — embora algumas estimativas apontem números ainda maiores.
Apesar dos impactos, o sistema é considerado estratégico para a segurança hídrica do país, especialmente em regiões onde rios históricos chegaram a secar em determinados períodos.
Desafios ambientais ainda preocupam
Mesmo com resultados expressivos, o projeto enfrenta críticas e desafios contínuos. A qualidade da água transportada e os impactos ambientais nas regiões atravessadas seguem sendo monitorados.
Além disso, especialistas apontam que a complexidade da obra exige manutenção constante e políticas rigorosas de preservação para garantir sua sustentabilidade no longo prazo.
Com previsão de conclusão total apenas para 2050, o sistema já é considerado a maior obra hídrica da história. Mais do que uma solução emergencial, ele se tornou um exemplo de como a engenharia pode ser utilizada para enfrentar crises em escala continental.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








