Segundo historiadora, jovens terão que sustentar os idosos no Brasil

Mudanças drásticas na estrutura familiar brasileira exigem uma nova forma de planejamento financeiro

Magno Oliver Magno Oliver -
Segundo historiadora, jovens terão que sustentar os idosos no Brasil
(Foto: Youtube/Canal Autêntica)

O Brasil enfrenta uma encruzilhada demográfica que promete redefinir o pacto entre gerações, conforme analisa a renomada historiadora Mary Del Priore.

Em recente debate sobre o futuro do país, a intelectual destacou que o acelerado processo de envelhecimento da população brasileira imporá um ônus sem precedentes aos cidadãos mais novos, que deverão financiar a estrutura de suporte e previdência de um contingente de idosos cada vez maior.

Esta “conta social”, segundo a historiadora, não é apenas uma questão de números, mas um desafio de organização do Estado e das famílias, que precisam se preparar para uma realidade onde a base da pirâmide produtiva está encolhendo enquanto o topo, composto por pessoas com mais de 60 anos, expande-se em ritmo acelerado.

Os dados que sustentam a análise de Del Priore são corroborados pelo Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento oficial revela que o grupo de brasileiros com 65 anos ou mais saltou para mais de 22 milhões de pessoas, representando um crescimento de 57,4% em apenas doze anos.

Atualmente, esse estrato já compõe 10,9% da população total, um contraste nítido com os 7,4% registrados em 2010. O fenômeno é fruto do aumento da longevidade e da queda acentuada na taxa de natalidade, criando um cenário onde o suporte econômico necessário para manter a saúde e a previdência torna-se uma pressão crescente sobre o mercado de trabalho jovem.

Para o futuro, as projeções oficiais indicam que o panorama será ainda mais severo. Em um horizonte de 45 anos, estima-se que quase 38% dos brasileiros terão 60 anos ou mais, totalizando cerca de 75,3 milhões de idosos.

A historiadora enfatiza que o Brasil ainda não adequou sua infraestrutura urbana e econômica para essa transição, o que pode gerar um conflito de sustentabilidade.

O encerramento deste ciclo de transição demográfica exige, portanto, políticas públicas imediatas que repensem a produtividade e o acolhimento, sob o risco de sobrecarregar a juventude com uma carga financeira e de cuidados que comprometa o desenvolvimento do país nas próximas décadas.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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