O país que está “criando terra” sobre o mar: a obra bilionária para salvar uma nação inteira do sumiço
País insular cria terra elevada sobre o oceano para tentar proteger moradias e infraestrutura da elevação do mar

Em um dos menores países do mundo, a relação com o oceano sempre fez parte da paisagem, da cultura e da rotina da população.
No entanto, nas últimas décadas, o mesmo mar que sustenta comunidades passou a representar uma ameaça cada vez mais concreta.
A situação é especialmente sensível em nações formadas por ilhas baixas, onde pequenas variações no nível da água podem afetar casas, estradas, serviços públicos e áreas inteiras de convivência.
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Por isso, algumas respostas à crise climática já não estão apenas nos discursos diplomáticos, mas em obras físicas de adaptação.
É nesse cenário que Tuvalu, no Pacífico, passou a criar novas áreas de terra elevada sobre o oceano.
O país concluiu a recuperação de 8 hectares em Fogafale, a ilhota mais populosa de Funafuti, capital do arquipélago, como parte de um projeto de adaptação costeira apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
A nova área foi projetada para permanecer acima das projeções de elevação do mar para além de 2100.
Segundo o Pnud, o terreno deve abrir espaço para moradias, infraestrutura e serviços comunitários em um país que tem território extremamente limitado e vulnerável às marés, erosões e inundações.
A iniciativa integra o Projeto de Adaptação Costeira de Tuvalu. A etapa recente recebeu US$ 17,5 milhões em recursos dos governos da Austrália, da Nova Zelândia e dos Estados Unidos, além da implementação do Pnud.
Antes disso, uma fase anterior já havia criado 7,3 hectares de terra recuperada no país.
A preocupação não é apenas futura. Relatórios técnicos da Nasa apontam que Funafuti continuará enfrentando aumento do nível do mar nas próximas décadas e que áreas importantes da capital podem ficar abaixo da maré alta média até 2050, dependendo dos cenários avaliados.
Além das obras, Tuvalu também busca alternativas de mobilidade para a população.
Pelo acordo Falepili Union, firmado com a Austrália, cidadãos tuvaluanos podem disputar uma rota migratória com até 280 vagas por ano para viver, trabalhar e estudar no país vizinho.
Mesmo assim, a criação de terra elevada mostra que o governo não trata a migração como única saída.
A estratégia combina engenharia costeira, planejamento urbano, cooperação internacional e tentativa de manter comunidades funcionando no próprio território.
Para Tuvalu, a obra representa uma resposta concreta a uma ameaça existencial.
Para outros países costeiros, o caso funciona como alerta de que a adaptação climática pode exigir não apenas novas políticas, mas mudanças profundas na própria forma de ocupar e proteger o espaço urbano.
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