Goiânia desbanca Rio e BH e entra no top 3 dos imóveis de luxo mais disputados do Brasil
Capital aparece atrás apenas de Brasília e São Paulo na lista; especialista aponta quais bairros se destacam e qual o perfil dos clientes
Durante anos, o mercado imobiliário de luxo no Brasil se manteve previsível, concentrando nas grandes capitais do Sudeste os lançamentos mais cobiçados e o público mais disposto à compra de imóveis de alto nível. Mas os dados mais recentes do Índice de Demanda Imobiliária (IDI) Brasil colocam Goiânia como uma das protagonistas desse mercado.
No ranking de alto padrão do 1º trimestre de 2026, a capital goiana aparece em 3º lugar, atrás apenas de Brasília (DF) e São Paulo (SP). Com esse resultado, a cidade fica à frente de fortes expoentes do ramo, como Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG).
O recorte do estudo, feito pelo Ecossistema Sienge em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), considera famílias com renda mensal acima de R$ 24 mil e mede a atratividade das cidades para novos empreendimentos imobiliários.
O que explica o avanço de Goiânia

Diretora comercial da URBS Donna, Maria Rosa Martins. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Para Maria Rosa Martins, diretora comercial da URBS Donna, o resultado não é isolado. Segundo ela, Goiânia reúne fatores que intensificam a procura por imóveis de maior valor, especialmente a influência do agronegócio e sua posição de referência regional em serviços.
“A influência do agro é muito forte em Goiás, e Goiânia, por ser a capital, acaba atraindo esse público. Vem gente do Tocantins, do Mato Grosso e do interior do próprio estado”, afirmou.
A diretora explica que muitos compradores buscam a capital como ponto de apoio. Entre os motivos estão tratamentos médicos, negócios, estudos dos filhos e a conveniência de uma propriedade em vez de depender de hotel durante estadias frequentes.
O perfil dos clientes também ajuda a entender a posição no ranking. Entre os compradores, Maria Rosa cita empresários, produtores rurais, médicos e outras profissões de alta renda, que encaram o imóvel também como investimento e segurança financeira. É um cliente exigente e, ao mesmo tempo, que evita grandes riscos nas aquisições.
Potencial de crescimento e bairros em destaque
Na avaliação da especialista, Goiânia mantém áreas de expansão com potencial de valorização. Esse fator mostra como a cidade ainda tem espaço para crescer, enquanto metrópoles como Rio de Janeiro e Belo Horizonte enfrentam maior saturação urbana.
A localização continua sendo um forte ponto de decisão. Quem compra imóveis de alto padrão busca praticidade, menos tempo no trânsito, acesso a serviços e empreendimentos com estrutura de lazer e conveniência.
Dentro da cidade, Setor Marista, Bueno, Jardim Goiás e Setor Oeste seguem entre os endereços mais valorizados.
No entanto, como são regiões tradicionais para esse recorte populacional, bairros próximos e com mais áreas disponíveis, como Pedro Ludovico, Parque Amazônia e Jardim América, começam a ganhar notoriedade.
A demanda também se divide entre apartamentos bem localizados e casas em condomínios. Maria Rosa aponta que Goiânia tem força nos dois segmentos, com públicos diferentes, mas igualmente interessados no setor imobiliário de luxo.
Outras cidades goianas aparecem no ranking
Além do mercado goianiense de alto padrão, outros também representam Goiás no levantamento do IDI Brasil. Anápolis ficou em 24º lugar na categoria, enquanto Rio Verde ocupou a 33ª posição.
Embora Goiânia concentre o maior destaque, a presença dos dois municípios indica que a demanda por imóveis de maior valor no estado não se restringe à capital. E, juntamente com Brasília liderando a lista, destaca a região Centro-Oeste como um polo de alto potencial e demanda para o comércio imobiliário de luxo.
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